A Taesa reportou no 3T25 lucro líquido regulatório de R$ 323,3 milhões (+5,2% a/a), receita líquida regulatória de R$ 650,5 milhões (+9,8%) e EBITDA regulatório de R$ 548,8 milhões (+12,6%). O desempenho refletiu a entrada em operação de Pitiguari e dos reforços da Novatrans, o reajuste inflacionário de RAP no ciclo 2025-2026 e menor Parcela Variável (PV). No acumulado de 9M25, a receita regulatória somou R$ 1.869,7 milhões (+7,0%), o EBITDA R$ 1.580,1 milhões (+9,0%), o OPEX foi a R$ 289,5 milhões (-3,0%) e o lucro líquido a R$ 811,0 milhões (+2,5%), com CAPEX de R$ 1.297,1 milhões (+89,8%). A receita de transmissão avançou 9,3% no trimestre, favorecida por reajustes do IGP-M/IPCA, reforços e efeitos de RTP; a PV melhorou R$ 7,1 milhões; D&A cresceu 51,1% pela entrada de ativos; a equivalência patrimonial regulatória recuou com maior despesa financeira em coligadas; a despesa financeira líquida aumentou 7,8% com CDI e dívida maiores; e IR/CS caiu R$ 34,5 milhões por maior dedução de JCP. A RAP total do ciclo foi homologada em R$ 4,4 bilhões, com RAP operacional de R$ 4,0 bilhões, e a PV dos 9M25 correspondeu a 0,28% da receita de transmissão.
Este desempenho consolida a captura do ciclo 2025–2026: além da entrada de Pitiguari e dos reforços da Novatrans, a companhia vinha adicionando blocos de RAP por entregas de rede que reduzem PV e aumentam a previsibilidade de margem, como a RAP adicional em TSN com efeito retroativo no ciclo 2025‑2026. Com mais ativos remunerados e PV sob controle, o 3T25 mostra expansão de EBITDA mesmo com depreciação e amortização acelerando, reflexo natural da capitalização de reforços. O CAPEX elevado no ano sinaliza continuidade dessa agenda de conversão de obras em receita regulatória, preparando terreno para sustentar a RAP operacional de R$ 4,0 bilhões ao longo do ciclo e diluir sazonalidades de indexadores.
Do lado financeiro, o aumento de despesa com CDI mais alto e maior dívida no trimestre convive com uma estratégia explícita de suavização de vencimentos e estabilização do custo: trata-se da coerência com o liability management concluído em 4 de novembro, que reduziu a concentração de amortizações e casou funding ao fluxo regulatório. Esse reprofilamento, ancorado por emissões recentes e pela entrada de receitas de reforços, tende a moderar a volatilidade financeira nos próximos períodos, preservando liquidez e a capacidade de investimento sem pressionar o payout. A própria redução de IR/CS no 3T25, via maior dedução de JCP, reforça o uso de instrumentos fiscais para otimizar o retorno ao acionista dentro da disciplina de capital.
Não por acaso, a política de remuneração continua a refletir essa combinação de previsibilidade operacional e robustez financeira: poucos dias após o fechamento do trimestre, a companhia aprovou a distribuição de R$ 323,3 milhões em proventos, sinalizando que a expansão da RAP e o reprofilamento do passivo sustentam a cadência de dividendos e JCP. Em síntese, o 3T25 não é um ponto fora da curva, mas a continuidade de uma tese: converter CAPEX em RAP, manter PV baixa e alinhar a estrutura de dívida ao ciclo regulatório para consolidar crescimento com estabilidade de caixa.







