SLC Agrícola (SLCE3) firmou acordos de associação com FIPs administrados pelo BTG Pactual para criar SPEs (50,01% SLC e 49,99% FIPs), com aporte total de aproximadamente R$ 1,033 bilhão (R$ 914 milhões à vista e R$ 119 milhões no 2º semestre de 2026). Os recursos serão destinados à aquisição e arrendamento de terras, investimentos em irrigação e infraestrutura e à celebração de contratos de parceria rural de longo prazo. Em termos estratégicos, o desenho de SPEs preserva flexibilidade e acelera expansão com menor consumo de capital próprio, consolidando a continuidade da estratégia asset light detalhada na projeção de 836 mil hectares para 2025/26 e a consolidação do modelo asset light com 61% da área via JVs/arrendamentos.

Continua após o anúncio

O pacote inclui a compra de 21.471 hectares agricultáveis da Fazenda Paladino por R$ 723 milhões (R$ 361,5 milhões no fechamento e R$ 361,5 milhões em março de 2026) e a aquisição de infraestrutura das Fazendas Piratini (R$ 86 milhões) e Paladino (R$ 27 milhões). A SLC aportará ativos como a própria Piratini, com infraestrutura e equipamentos de irrigação. No fechamento, as SPEs serão proprietárias dos imóveis e firmarão contratos de parceria rural com a SLC Agrícola e a SLC MIT (operadora), com remuneração às SPEs equivalente a cerca de 19% da produção; o prazo inicial será de 18 anos, com prorrogações automáticas a cada três anos. Este arranjo foi antecipado e contextualizado no 3T25, quando a companhia apresentou recordes operacionais e detalhou o acordo com FIPs do BTG para SPEs e parceria rural com remuneração próxima a 19%, reforçando acesso de longo prazo à terra sem pressionar o balanço.

Na frente operacional, a irrigação é vetor-chave para produtividade e resiliência climática. Em Piratini, o projeto já em execução prevê mais 6.303 hectares até 2026, totalizando 13.204 hectares. Em Paladino, a implementação de 14.730 hectares entre 2028 e 2030 depende de licenças para captação de água, perfuração de poços e fornecimento de energia. A expansão hídrica e a padronização de processos dialogam com a governança de dados e a agenda ESG — pilares da maior operação de mensuração de carbono do agro brasileiro e do ROI de R$ 11 para R$ 1 em agricultura digital —, criando base de MRV para eficiência hídrica, otimização do mix de culturas e eventual monetização de serviços ecossistêmicos.

Segundo a companhia, as aquisições ocorrerão em condições de mercado com avaliações independentes e estrutura “comutativa”, em linha com melhores práticas de governança. A conclusão depende do CADE e de condições usuais de fechamento, incluindo reestruturação societária prévia; BTG Pactual e Pinheiro Neto atuaram como assessores financeiro e jurídico, respectivamente. No plano de funding, o passo se ancora em passivos mais longos e isentos que suavizam desembolsos entre plantio e colheita, coerentes com o bookbuilding do CRA de R$ 900 milhões a CDI+0,40% com vencimento em 2033 para alongar a dívida e pré-fundear o ciclo 2025/26. Em conjunto, SPEs, irrigação e funding estruturado fecham o ciclo: expansão escalável com disciplina de capital e horizonte de 18 anos de acesso à terra sob parceria rural.

Publicidade
Tags:
SLC AgrícolaSLCE3