A SLC Agrícola (SLCE3) projetou 836 mil hectares de área plantada para 2025/26 e informou que 61% da área física virá de joint ventures e arrendamentos, reforçando a guinada asset light. O portfólio segue flexível: 51% milho, 24% soja, 19% algodão e 6% outros em área, enquanto em 2024 a receita foi mais concentrada no algodão (57%), seguida de soja (30%) e milho (9%), o que evidencia gestão ativa de mix entre área e margem. A companhia opera 26 fazendas no Cerrado, com 3,3% irrigados, e já travou parte relevante de preços e câmbio para soja e algodão, além de antecipar compras de insumos para 2025/26. Este anúncio organiza o próximo ciclo e consolida a continuidade de escala com disciplina de capital, conectando expansão de área, proteção de preços e maior flexibilidade de ativos. Em essência, o movimento consolida a migração ao modelo asset light e o potencial de 830 mil hectares já sinalizado para 2025/26.

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Do lado financeiro, a companhia sustenta a execução com alongamento de prazos e pré-funding do ciclo, mitigando a necessidade de capital de giro entre plantio e colheita. A maturidade de hedge — com níveis elevados em soja para 2024/25 e avanço em 2025/26 — e a antecipação de insumos (95% de fosfatados e 100% de KCl, por exemplo) reduzem volatilidade e dão previsibilidade de caixa em um cenário de preços internacionais contidos para soja e algodão e logística monitorada via fretes Sorriso–Santos. Essa arquitetura de capital é continuidade direta do bookbuilding do CRA de R$ 900 milhões a CDI+0,40% para alongar a dívida e pré-fundear o ciclo 2025/26. Com passivo mais longo e isento, a SLC casa desembolsos de insumos ao ciclo produtivo e mantém a estratégia de travar preços e câmbio de forma progressiva: para 2025/26, por exemplo, a soja já está 47,3% protegida na commodity e 27,8% no câmbio, enquanto no algodão a proteção ainda evolui, preservando opcionalidade caso os preços internacionais se recuperem. A leitura de safra também considera o balanço de oferta dos EUA — menor área em soja e algodão e maior em milho — e a probabilidade de La Niña migrando para neutralidade no 1º tri de 2026, fatores que influenciam janelas de plantio, produtividade e decisões de hedge.

Operacionalmente, os 3,3% de área irrigada mostram que a alavanca de irrigação ainda está no início, mas é estratégica para reduzir risco climático e capturar produtividade em praças-chave do Oeste Baiano. A expansão de área estimada para 2025/26 (836 mil ha) reflete a combinação de conversão de pastagens, entrada de novas áreas e maior uso de JVs/arrendamentos, além da valorização do negócio de sementes — com previsão de 1,4 milhão de sacas de soja em 2025 — e da adoção de tecnologia como “game changer”. Esses vetores se somam à base ampliada por aquisições e parcerias recentes, reforçando capacidade de produção, padronização de processos e escala de hedge — trajetória já evidenciada pela incorporação da Sierentz Agro (~100 mil ha arrendados) e o projeto de irrigação de 37,1 mil ha (meta de 53 mil ha irrigados).

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