A Eletrobras aprovou a 8ª emissão de debêntures simples da Eletronorte, em série única, no montante de R$ 700 milhões, com vencimento em 15 de setembro de 2035. A oferta, destinada a investidores profissionais, seguirá a Resolução CVM nº 160, contará com incentivo fiscal da Lei 12.431/2011 e será realizada no âmbito do Programa Eco Invest Brasil (Lei 14.995/2024). Os títulos pagarão juros semestrais, sem carência, e terão amortizações anuais ao final do 8º, 9º e 10º anos. A taxa teto está referenciada à NTN-B 2035 e a Eletrobras atuará como fiadora e principal pagadora, reforçando a estrutura de garantias.

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Estruturalmente, o movimento dá continuidade à agenda de alongamento do passivo, diversificação de fontes e captura de custos competitivos no pós-privatização. A disciplina de crédito e governança tem sido reconhecida externamente, como na manutenção do rating BB com perspectiva estável pela S&P em 28 de agosto, que destacou eficiência, simplificação organizacional e previsibilidade. Com a holding como fiadora, a emissão tende a refletir o risco consolidado do grupo, favorecendo a atratividade dos títulos incentivados em janelas de demanda por duration longa. Ao usar o registro automático da Resolução 160, a companhia ainda reduz fricções e ganha agilidade na tomada de mercado, reforçando execução e timing.

Na prática, a operação consolida a trilha aberta pela captação de R$ 2 bilhões em debêntures da Eletronorte a CDI - 0,56% a.a. em julho, que comprovou apetite e acesso favorável. Agora, ao combinar Lei 12.431 com teto referenciado na NTN-B 2035, a Eletrobras amplia o universo de investidores profissionais e casa o prazo de 10 anos com amortizações concentradas no 8º–10º ano, suavizando o serviço da dívida e preservando liquidez. A garantia fidejussória da holding reduz incertezas de crédito e tende a otimizar o spread. Além disso, o enquadramento no Programa Eco Invest Brasil insere a captação em um arcabouço regulatório que privilegia o financiamento de infraestrutura energética, reforçando coerência entre política pública e estratégia corporativa.

No operacional-regulatório, o funding dialoga com a ampliação de receitas estáveis e de longo prazo que ancoram dívidas indexadas à inflação, como evidenciado pela entrada em operação da linha Manaus–Boa Vista com RAP base de R$ 562 milhões e concessão até 2051. Esses ativos com horizonte de 20–30 anos elevam a previsibilidade de caixa da transmissão e sustentam emissões com vencimento em 2035. Em síntese, a 8ª emissão da Eletronorte consolida a estratégia de financiamento pós-privatização: custo competitivo, duration estendida, governança de crédito reforçada e foco em ativos na Amazônia e no backbone de transmissão, convertendo execução operacional em robustez financeira de longo prazo.

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