Em 15 de outubro de 2025, a Eletrobras informou ter assinado, em 14/10, contrato de compra e venda com a J&F S.A. para alienar 100% de sua participação na Eletronuclear por R$ 535 milhões. A compradora assumirá as garantias prestadas pela Eletrobras em favor da Eletronuclear e a responsabilidade pela integralização das debêntures ADI (R$ 2,4 bilhões), condição que, segundo a companhia, permitirá a plena liberação de responsabilidades remanescentes com a coligada. O anúncio complementa fatos relevantes de 2024 e de fevereiro/março de 2025, alinhado ao Termo de Conciliação com a União submetido à ADI nº 7.385; considerando o valor de investimento de R$ 7,8 bilhões no 2T25, a operação enseja provisão aproximada de R$ 7 bilhões no 3T25. O processo foi competitivo, iniciado em 2023, e assessorado pelo BTG Pactual, ainda sujeito a condições precedentes, em linha com o Termo de Conciliação com a União reconhecido pela S&P em agosto.

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Estrategicamente, a transação aprofunda a simplificação de portfólio e a reciclagem de capital no pós-privatização: sai um ativo de alta complexidade regulatória e de garantias, e a companhia reforça foco em negócios com previsibilidade, governança clara e alocação disciplinada. Além disso, mantém consistência de execução com o mesmo grupo comprador que protagonizou o ciclo recente de desinvestimentos em térmicas — um vetor de limpeza de legados e redução de volatilidade operacional — como no encerramento das térmicas com a venda da UTE Santa Cruz à J&F, que fechou o portfólio fóssil e consolidou a geração 100% renovável, preservando opcionalidade via earn-out e entradas relevantes de caixa.

Do ponto de vista financeiro, a assunção de garantias pela compradora e a responsabilidade pelas debêntures ADI reduzem fricções no balanço, abrindo espaço para desalavancagem seletiva e realocação de capital em ativos regulados de longa duração. Essa diretriz dialoga com a expansão de receitas estáveis em transmissão e com entregas que adicionam RAP indexada por décadas, como a entrada em operação da linha Manaus–Boa Vista, com RAP de R$ 562 milhões até 2051. Ao converter saídas de ativos não core em capacidade de investimento no backbone de transmissão e em renováveis, a Eletrobras reforça a previsibilidade de caixa, mitiga riscos jurídicos e consolida a narrativa pós-privatização de criação de valor sustentável e simplificação societária.

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