Em 9 de outubro de 2025, a Eletrobras concluiu a alienação do seu último ativo termelétrico — a UTE Santa Cruz — para o grupo J&F S.A., por R$ 703,5 milhões. A operação encerra o ciclo de desinvestimentos térmicos iniciado com os fechamentos de 14/05/25 nas usinas da Eletronorte e torna, a partir desta data, o portfólio de geração 100% renovável, em linha com o compromisso Net Zero 2030. No total, a companhia soma R$ 3,6 bilhões em entradas (além do caixa gerado entre assinatura e closing) e preserva o direito ao earn-out com valor base de R$ 1,2 bilhão. A lista de ativos vendidos totaliza 2.059 MW, incluindo Mauá III, Aparecida e o direito de reversão do Complexo PIEs, além de Santa Cruz.

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Estratégicamente, o encerramento das térmicas consolida a simplificação do portfólio e a reciclagem de capital do pós-privatização. Esse arco foi pavimentado por desinvestimentos periféricos que reduziram complexidade societária e liberaram recursos para o core business, como a alienação da participação na EMAE à Sabesp por R$ 476,5 milhões. A recorrência do earn-out nas transações — agora presente também nas térmicas — preserva opcionalidade de valor sem abrir mão da disciplina de caixa. Com R$ 3,6 bilhões já captados, a empresa ganha flexibilidade para desalavancar seletivamente, reforçar liquidez e acelerar projetos com horizonte regulado de 20–30 anos, desatrelando a tese de valor de volatilidades operacionais típicas de térmicas.

Do ponto de vista operacional e ESG, a guinada para um parque 100% renovável combina redução estrutural de emissões com maior previsibilidade de geração de caixa. Na transmissão, a base de receitas estáveis e indexadas segue em expansão, reforçando a coerência do portfólio com a descarbonização — caso da entrada em operação da linha Manaus–Boa Vista com RAP de R$ 562 milhões até 2051, que substitui geração a óleo/diesel em sistema isolado e estima reduzir 280 mil toneladas de CO₂/ano. Ao acoplar ativos regulados de longa duração a PPAs e matriz renovável, a companhia mitiga riscos de preço e de suprimento, enquanto simplifica a alocação e a execução operacional.

No funding, o caixa dos desinvestimentos térmicos se soma a janelas de dívida de longo prazo a custos competitivos, casando duration com fluxos indexados. Esse desenho foi evidenciado pela 8ª emissão de debêntures da Eletronorte, com vencimento em 2035, estruturada para alongar o passivo e diversificar fontes, inclusive sob arcabouços que favorecem infraestrutura e transição energética. Na prática, a saída das térmicas deixa de consumir capital e libera capacidade para ampliar transmissão e renováveis, reduzindo custo de capital e elevando a previsibilidade do balanço. O movimento fecha um ciclo: simplificar onde não há vantagem competitiva estrutural e concentrar recursos em plataformas escaláveis e reguladas, ancorando criação de valor sustentável.

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