Em 31 de outubro de 2025, a Marcopolo informou ter recebido carta da BlackRock sobre a alienação de parte das ações preferenciais e a nova posição consolidada em 29 de outubro: 36.179.449 PNs (4,981% das preferenciais), 15.687.370 instrumentos financeiros derivativos referenciados em PNs com liquidação financeira (2,159% das PNs) e 2.975.118 ONs (0,725% das ordinárias). A gestora reiterou que a participação tem caráter estritamente de investimento, sem intenção de influenciar controle ou administração, e que não existem acordos de voto, em linha com a Resolução CVM 44.
Diferentemente da comunicação de 15 de outubro (5,016% em PNs e 1,967% em derivativos), o novo aviso indica leve redução da fatia direta em PNs para 4,981% e aumento do uso de derivativos para 2,159%. A leitura é de realocação tática entre ações e instrumentos financeiros, preservando exposição econômica sem mudança de intenção estratégica. Movimentos desse tipo são comuns em gestores globais para otimizar liquidez, custo de carregamento e gestão de risco, sobretudo quando a posição oscila próximo ao limiar regulatório de 5% que demanda divulgações periódicas. A ausência de acordos de voto e a ênfase no propósito exclusivamente de investimento reforçam que não há agenda de influência societária embutida no ajuste.
O movimento se insere na recomposição da base institucional ao longo do 2º semestre, marcada por entradas de investidores globais e rotações táticas de casas ativas — como ilustra a redução da LarrainVial para 2,69% nas preferenciais em outubro. Essa dinâmica tem sido sustentada por maior liquidez, previsibilidade de comunicação e disciplina de capital, criando um ciclo virtuoso em que estabilidade acionária e custo de capital menor favorecem projetos de longo prazo (internacionalização, eletrificação e modernização fabril). Na frente operacional, a melhora de margens, o avanço do mix para mercados externos e o balanço leve, evidenciados no resultado do 3T25 e fortalecimento do free float observado no 2º semestre, ajudam a explicar o interesse e os ajustes finos de posicionamento por parte de investidores institucionais, sem implicar mudanças de controle ou de tese.







