Marcopolo reportou no 3T25 lucro líquido de R$ 329,6 milhões e receita de R$ 2,5 bilhões (+8,2% a/a), com exportações crescendo 43,0% e operações internacionais +51,3%, compensando a queda de 15,2% na receita doméstica. A margem bruta avançou para 26,7%, enquanto a margem EBITDA ficou em 16,8% (vs. 20,1% no 3T24) e a margem líquida em 13,2%. Este resultado consolida a mudança de mix rumo a mercados externos e produtos de maior valor destacada no Marcopolo Day/2T25, com diversificação geográfica e margens elevadas.
Operacionalmente, o Brasil recuou 8,2% em produção, ao passo que exportações (+18,3%) e unidades externas (+26,2%) sustentaram volumes. No urbano, foram 64 carrocerias do ônibus elétrico Attivi entregues no Brasil; no Caminho da Escola, 631 unidades (564 micros e 67 Volare), com novo edital esperado no 4T25, dando sequência ao pipeline e à transição de fases comentados no primeiro semestre. Em controladas, destaque para África do Sul e Austrália, enquanto a China permaneceu positiva após reestruturação — um ponto de inflexão em relação ao 1S25 — e o México manteve bons resultados sob visão mais cautelosa. Para frente, a companhia projeta manutenção de ritmo no 4T25 e avança na homologação europeia dos Paradiso G8 1350 e 1200, com vendas a partir de 2026, reforçando a tese de internacionalização como vetor de crescimento.
O balanço segue leve (dívida líquida industrial de R$ 69,5 milhões e DL/EBITDA industrial de 0,05) e o ROIC de 25% sustenta disciplina de capital. Esse pano de fundo dá continuidade ao fortalecimento do free float e da base de investidores de longo prazo observado no 2º semestre, em linha com a comunicação de participação relevante da BlackRock em outubro e a recomposição institucional. Com execução internacional ganhando tração, margens defendidas por eficiência e um cronograma de lançamentos que exige capital paciente, a presença de investidores globais tende a reduzir custo de capital, estabilizar a ação e apoiar a exploração de oportunidades em eletrificação e modernização fabril, enquanto a taxa de juros elevada ainda limita a renovação de frotas no Brasil. Nesse contexto, ajustes de portfólio por casas ativas se mantêm como movimentos táticos, sem alteração de tese, como ilustra a redução da LarrainVial para 2,69% nas preferenciais em outubro, que coexiste com a melhora operacional e a visibilidade de demanda vinda de exportações, operações internacionais e do programa Caminho da Escola.







