São Paulo, 22 de outubro de 2025 — A Oncoclínicas repactuou hoje com o Banco Master de Investimento (BMI) o resgate de CDBs nos quais detém saldo de R$ 478,2 milhões. O novo cronograma estabelece 20 parcelas: R$ 20 milhões em 30/10/2025; da 2ª à 19ª, R$ 25 milhões mensais entre 15/11/2025 e 15/04/2027; e, em 15/05/2027, liquidação do saldo remanescente. O instrumento mantém a taxa de remuneração dos CDBs e prevê eventos de vencimento antecipado que tornam o valor investido imediatamente devido e resgatável. Como flexibilização estratégica, a companhia poderá, se as cotas dos FIPs Tessália e Quíron forem tornadas livres e houver vencimento antecipado, usar o saldo dos CDBs como pagamento para exercer opção de compra dessas cotas, condicionado à aprovação prévia em AGE nos termos da Resolução CVM 77. Banco Master S.A. e afiliadas atuaram como intervenientes anuentes.
Este passo organiza a liquidez do lado dos ativos financeiros e dá previsibilidade de caixa até 2027, ao mesmo tempo em que preserva gatilhos de aceleração em cenários de necessidade. A medida dá continuidade à rota societária recém-validada, com a aprovação do aumento de capital de até R$ 2 bilhões a R$ 3,00 com bônus 1:1, ao combinar três alavancas complementares: calendário claro de entradas de caixa via resgates, reforço de capital (inclusive com equitização de créditos) e opcionalidade para eventuais ajustes de governança acionária via aquisição de cotas de FIPs, sujeita a governança robusta. Na prática, a manutenção da taxa dos CDBs reduz risco de repricing, enquanto os eventos de vencimento antecipado funcionam como seguro de liquidez. O encadeamento desses instrumentos fortalece a visibilidade de execução enquanto a companhia atravessa a fase de reequilíbrio financeiro.
No eixo de previsibilidade operacional, a lógica de cronogramas e salvaguardas ecoa o que a Oncoclínicas já vem implementando no capital de giro e nos contratos com pagadores. O caso mais emblemático foi a repactuação de ~R$ 790 milhões com a Unimed FERJ em 94 parcelas e pré-pagamento semanal, que reduziu volatilidade de recebimento e inadimplência. Assim como naquele arranjo, o cronograma de resgates dos CDBs com o BMI suaviza picos e vales de caixa, permitindo priorizar a operação oncológica core e a disciplina de margens. Ao padronizar fluxos e atrelar aceleração a condições objetivas, a companhia mitiga assimetrias de curto prazo e cria ponte de liquidez enquanto avança a agenda societária aprovada, reduzindo dependência de linhas emergenciais mais caras.
Em paralelo, a repactuação de hoje reforça a coerência com a guinada asset-light e a rotação de portfólio que aliviam o balanço sem diluição desnecessária. No campo de desalavancagem não dilutiva, um marco recente foi a venda de 84% do UMC com assunção de dívidas e acordo para preservar a oncologia, que diminuiu imobilização em hospitalar ex-core e reduziu necessidades futuras de capex. A combinação de desinvestimentos seletivos, contratos com previsibilidade e um pipeline de entradas de caixa via resgates cria um colchão de execução para que a capitalização em curso e as demais renegociações financeiras entreguem impacto efetivo sobre custo financeiro e alavancagem ao longo de 2026–2027.
Do ponto de vista de governança e custo de transação, o desenho preserva autonomia estratégica: a eventual aquisição de cotas de FIPs — caso liberadas e após aprovação assemblear — é tratada como opcionalidade, não como premissa de curto prazo. Essa abordagem se alinha à rejeição à proposta da Starboard e ao encaminhamento do aumento de capital à AGE, quando a administração preferiu uma solução própria com parâmetros claros de preço e execução. O que monitorar agora: (i) aderência do BMI ao cronograma e eventuais gatilhos de vencimento antecipado; (ii) andamento do processo para tornar livres as cotas de Tessália e Quíron e a avaliação de aquisição indireta conforme a CVM 77; e (iii) o efeito combinado dos resgates, da oferta de capital e das iniciativas operacionais sobre a trajetória de caixa, despesa financeira e alavancagem.







