Em 21 de outubro de 2025, a Braskem informou à CVM, em resposta ao Ofício nº 278/2025/SEP/GEA-1, que ainda não teve acesso à denúncia oferecida pelo MPF de Alagoas relativa à exploração de sal-gema em Maceió. Como o caso tramita em segredo de justiça, a companhia afirmou não ser possível, por ora, avaliar materialidade ou pertinência de Fato Relevante. Reforçou, porém, que vem atualizando o mercado nas notas explicativas “Evento geológico – Alagoas” de suas demonstrações e que, no ITR do 2T25, reportou ter tomado conhecimento, em outubro de 2024, da conclusão do inquérito e do encaminhamento ao MPF. O ofício da CVM foi motivado por reportagem da Carta Capital de 19/10, e a resposta foi assinada pelo CFO e DRI, Felipe Montoro Jens.
A cautela no tratamento do tema — distinguindo o que é sigiloso do que é passível de divulgação — reforça um padrão recente de governança em interações com reguladores. Há duas semanas, a companhia já havia prestado esclarecimentos à reguladora em outra frente, com a resposta ao Ofício 255/2025 da CVM, em 7 de outubro, sobre rumores de controle societário, reiterando a separação entre decisões de acionistas e a agenda executiva e a prática de responder com diligência a sinais de mercado que possam afetar investidores.
Esse posicionamento também evidencia o critério de materialidade adotado: quando há fatos objetivos e com impacto relevante, a empresa utiliza o canal de Fato Relevante; quando o assunto está sob sigilo ou sem definição de efeitos, privilegia atualizações em notas explicativas e ofícios. Esse contraste se vê na própria atuação recente em temas financeiros, como o fato relevante de contratação de assessores para otimização da estrutura de capital, que mostrou disposição de transparência quando a matéria tem natureza estratégica e efeitos potenciais claros sobre alavancagem, liquidez e custo de capital.
No pano de fundo, a prudência comunicacional também conversa com um ambiente financeiro mais apertado e de maior vigilância das agências, no qual a consistência da comunicação reduz ruído e volatilidade para o investidor. Desde o CreditWatch negativo da S&P em 22 de agosto, a Braskem vem enfatizando preservação de caixa e disciplina de capex; nesse contexto, o tratamento criterioso de riscos legais e a sinalização de quando — e como — eventuais impactos seriam divulgados ajudam a ancorar expectativas. Em síntese, a resposta ao ofício sobre Alagoas se encaixa numa narrativa de governança ativa: responder prontamente a reguladores, calibrar disclosure ao estágio de cada processo e manter o mercado informado por canais formais, enquanto a execução operacional e financeira segue sob foco.







