Na sexta-feira, 22 de agosto de 2025, a S&P Global Ratings revisou a nota de crédito da Braskem para BB- em escala global e colocou a companhia em CreditWatch negativo, citando a persistência de spreads petroquímicos deprimidos e reflexos sobre a liquidez. O movimento dá continuidade ao diagnóstico já explicitado na revisão da Fitch para BB-, com observação negativa. Em termos práticos, o CreditWatch negativo sinaliza acompanhamento mais próximo e a possibilidade de novo ajuste caso a geração de caixa e os spreads não mostrem inflexão; por isso a companhia reforça que seguirá priorizando higidez financeira, preservação de caixa, disciplina de capex e competitividade doméstica enquanto perdurar o downcycle. No pano de fundo do setor, excesso de capacidade global, tensões comerciais e custos voláteis de matérias-primas sustentam margens comprimidas, retardando a normalização. A ênfase em resiliência indica ajuste de estoques, revisão de portfólio e foco em projetos de maior retorno para atravessar o ciclo.

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Os números recentes já capturavam essa pressão. No 2º trimestre, a petroquímica reportou forte queda de rentabilidade e preservou liquidez, com caixa de US$ 1,7 bilhão e dívida de longo prazo, refletindo o descompasso entre custos e preços internacionais — vide os resultados do 2T25, quando o EBITDA recorrente caiu 77% e a posição de caixa foi detalhada. Esse quadro ajuda a explicar por que as agências continuam vinculando a avaliação de risco ao ritmo de recuperação dos spreads globais e à capacidade de a Braskem sustentar fluxo de caixa operacional positivo, especialmente em geografias mais desafiadoras, sem sacrificar a saúde financeira. Em paralelo, a companhia vem ajustando mix de vendas, eficiência industrial e políticas de exportação para amortecer a volatilidade, preservando liquidez até que o ciclo mostre sinais mais consistentes de alívio.

Do lado estratégico, a gestão tem acenado com alavancas de resiliência e rotação de portfólio para reduzir risco e reforçar caixa. Entre elas estão a avaliação de ativos e potenciais desinvestimentos seletivos, exemplificados pelas conversas com a Unipar sobre possíveis transações de ativos, no âmbito do Programa de Resiliência e Transformação. Tais movimentos buscam concentrar capital em operações de maior retorno, monetizar ativos não core e ampliar a flexibilidade financeira, fatores que costumam ser avaliados positivamente quando acompanhados de execução e governança robustas, em linha com o compromisso reiterado hoje. Em paralelo ao ajuste estratégico, a aprovação pelo CADE, sem restrições, da operação envolvendo o controle societário tende a trazer mais clareza para diretrizes de capital e eficiência, reforçando as condições para uma eventual melhora de percepção de risco quando o ciclo setorial permitir.

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