Nesta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, a Eletrobras informou que a Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista entrou em operação comercial em 16 de setembro, finalmente integrando Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O projeto, com 724 km em 500 kV (circuito duplo) e investimento de cerca de R$ 3,3 bilhões, estima reduzir 280 mil toneladas de CO₂ por ano. A concessão vai até 2051 e a Receita Anual Permitida (RAP) informada é de R$ 562 milhões (base set/2025). Operada pela Transnorte Energia (TNE), joint venture entre Eletrobras (64,6%) e Alupar (35,4%), o início de operação também habilita a Eletrobras a exercer a opção de compra prevista no Acordo de Acionistas. Este marco dá continuidade ao acordo da TNE aprovado pela ANEEL que, à época, definiu RAP de até R$ 395,66 milhões por 27 anos, agora materializado com a entrada em operação e atualização regulatória do ativo.
Além do ganho ambiental e da segurança energética – ao substituir geração a óleo/diesel em sistema isolado –, a linha amplia a base de receitas reguladas de longo prazo, elevando a previsibilidade de caixa típica do negócio de transmissão. Diferentemente do período em que o projeto ainda dependia de marcos autorizativos e engenharia em campo, a operação comercial consolida a entrega física e financeira de um ativo estratégico na Amazônia, reforçando capacidade de execução em logística complexa. O movimento também se conecta à estratégia na região Norte, evidenciada pela recuperação de créditos no leilão GSF e pela ênfase em ativos locais, que já citava o acordo para conectar Roraima ao SIN, compondo um arco de expansão coordenada do portfólio na região.
No plano societário e de alocação de capital, o start da operação aciona a janela para a Eletrobras avaliar o aumento progressivo de participação na TNE, conforme previsto no Acordo de Acionistas. Essa decisão potencialmente reequilibra o portfólio de transmissão com um ativo recém-operacional e de RAP indexada, diálogo coerente com a disciplina financeira e a previsibilidade demonstradas nos dividendos intermediários de R$ 4 bilhões aprovados em agosto. Em síntese, a entrega da Manaus–Boa Vista encerra a fase de implantação, inaugura um ciclo de geração de caixa regulada até 2051 e consolida a narrativa de pós-privatização: execução de projetos estruturantes, expansão de receitas estáveis e opcionalidades de criação de valor aos acionistas.







