Rio de Janeiro, 5 de outubro de 2025 — A Eletrobras (ELET3, ELET5, ELET6) celebrou contrato com a Sabesp para alienar a totalidade de sua participação na EMAE, equivalente a 14.856.900 ações preferenciais, por R$ 32,07 por ação, somando R$ 476,5 milhões. Segundo a companhia, o desinvestimento está alinhado ao Plano Estratégico, reforçando a simplificação da estrutura e a eficiência na alocação de capital. A transação inclui a possibilidade de pagamentos de earnout e foi assinada por Eduardo Haiama, Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores.

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Este movimento consolida a agenda de simplificação e de foco no core business pós-privatização. Ao desinvestir uma participação minoritária e periférica, a companhia reduz complexidade societária e libera capital para prioridades com escala e maior controle operacional. O vetor já vinha sendo sinalizado por etapas de integração e limpeza de base, como o leilão de sobras decorrente da incorporação da Eletropar. Na prática, a venda da EMAE elimina camadas herdadas, diminui fricções administrativas e reforça a coerência entre governança, transparência e execução, criando um ecossistema mais previsível para alocação de capital e comunicação com o mercado. O earnout, por sua vez, preserva opcionalidade de valor futuro, sem comprometer a disciplina no curto prazo.

Do ponto de vista financeiro, a combinação entre reciclagem de portfólio e funding competitivo sustenta a estratégia de crescimento com disciplina. Os R$ 476,5 milhões — acrescidos de um potencial earnout — ampliam a flexibilidade para desalavancar seletivamente, recompor liquidez ou acelerar projetos prioritários, enquanto a estrutura de dívida é continuamente otimizada. Esse caminho dialoga com o alongamento de passivos e diversificação de fontes observado na 8ª emissão de debêntures da Eletronorte, com incentivo da Lei 12.431 e prazo até 2035, reforçando o casamento entre fluxos de caixa de longo prazo e duration da dívida. Ao reciclar capital de ativos não estratégicos e simultaneamente captar a custos competitivos, a Eletrobras protege sua métrica de alavancagem, reduz custo médio e melhora o perfil de vencimentos, mantendo folga para investir sem pressionar o balanço.

Estratégicamente, a alienação de um ativo periférico em São Paulo reforça a concentração em negócios com receitas reguladas e previsíveis, como transmissão e projetos estruturantes de longo prazo. O movimento é coerente com a expansão recente da base de RAP e com a priorização de ativos críticos ao sistema, exemplificada pela entrada em operação da linha Manaus–Boa Vista com RAP de R$ 562 milhões até 2051. Ao realocar capital para ativos com horizonte de 20–30 anos e indexação, a companhia consolida a narrativa de previsibilidade de caixa, resiliência a choques e criação de valor sustentável. Em síntese, a venda da EMAE é mais um capítulo de uma estratégia consistente: simplificar onde não há vantagem competitiva clara e concentrar recursos em plataformas escaláveis e reguladas, ancorando crescimento, governança e retorno ao acionista.

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