Com a partida do segundo forno elétrico em Onça Puma, a VBM agrega 15 ktpa e eleva a capacidade nominal da unidade para 40 ktpa. A reconstrução foi entregue no prazo, com investimento de cerca de US$ 480 milhões, 13% abaixo do orçamento. Para o investidor, esse delivery combina aumento de throughput, diluição de custos fixos e maior confiabilidade operacional no parque de níquel do Pará. Além de capturar margens em ciclos favoráveis do níquel, o fato de o projeto ter ficado abaixo do orçamento reforça a disciplina de capital que a Vale vem perseguindo no braço de metais, em linha com a redução seletiva do CAPEX 2025 no bloco de Metais para Transição Energética.
Pelo lado operacional, trata-se de uma planta eletrointensiva: estabilidade e custo de energia são determinantes para a competitividade do ferroníquel. A companhia vem montando uma arquitetura de suprimento que reduz volatilidade de custos, melhora o hedge natural em USD e preserva a pegada renovável no Brasil. Essa engenharia energética, que integra ativos hídricos, eólicos e solares em contratos de longo prazo, tende a sustentar a disponibilidade e a previsibilidade necessárias ao ramp-up seguro do segundo forno de Onça Puma, além de ancorar compromissos de descarbonização industrial, como evidenciado pela formação da joint venture na Aliança Energia com energia renovável competitiva e contratos em USD.
Estrategicamente, ampliar a capacidade de níquel — insumo crítico para aço inoxidável e cadeias da transição energética — reforça o pilar de Metais para Transição Energética da Vale e diversifica as fontes de geração de caixa além do minério de ferro. O avanço em Onça Puma conversa com a rota corporativa de capturar valor por qualidade e por especificação, ao mesmo tempo em que fortalece relacionamentos comerciais de longo prazo com clientes que demandam materiais com menor intensidade de carbono. Os marcos de descarbonização, a construção de demanda para produtos de redução direta e os acordos com clientes dão visibilidade de médio prazo à monetização do portfólio, em linha com a agenda de descarbonização e estratégia ativa de portfólio detalhadas no Analyst & Investor Tour 2025.
Em perspectiva histórica, a entrega do segundo forno é mais um capítulo da reorganização que separou a companhia em dois motores de valor — Soluções de Minério de Ferro e Metais para Transição Energética — e consolidou alavancas de execução: governança, energia renovável e disciplina financeira. Esse pano de fundo explica por que projetos intensivos em engenharia vêm sendo concluídos com melhor previsibilidade, reforçando a confiança de stakeholders no Pará e no Brasil. Para acompanhar, o investidor deve monitorar ramp-up, custo caixa unitário, eficiência energética e spreads de ferroníquel versus LME, que se inserem na transformação estrutural de 2024 com foco em dois negócios e 100% de energia renovável no Brasil.







