A Vale concluiu, em parceria com a GIP, a formação da joint venture na Aliança Energia após as aprovações regulatórias, recebendo US$ 1 bilhão em caixa e ficando com 30% do capital (a GIP detém 70%). A Aliança passa a consolidar integralmente o parque solar Sol do Cerrado e a UHE Risoleta Neves, além de outras seis hidrelétricas em Minas Gerais e três parques eólicos no Rio Grande do Norte e no Ceará. O desenho assegura volume estratégico de energia a custos competitivos, com contratos em dólar sem indexação por inflação, preservando a matriz 100% renovável no Brasil. O avanço dá continuidade ao Fato Relevante de 31 de março e consolida a trajetória iniciada na transformação estrutural de 2024 com 100% de energia renovável no Brasil, quando a companhia reorganizou seus negócios e fortaleceu a base operacional e financeira.
Do ponto de vista financeiro, a operação combina reciclagem de capital — cristalizando valor em ativos de geração com US$ 1 bilhão em caixa — e acesso de longo prazo a energia contratada, reduzindo a volatilidade de custos e criando um hedge natural com receitas em dólar. Ao reter 30% na Aliança, a Vale mantém opcionalidade em um insumo crítico para beneficiamento e concentração em Minas Gerais e para projetos de baixo carbono. Essa engenharia se alinha à disciplina de capital e ao movimento de maior flexibilidade comercial por especificações, oficializados com a redução seletiva do CAPEX 2025 e guidance granular de vendas, priorizando margens por qualidade e resiliência do portfólio. Na prática, energia renovável estável e precificada em USD reduz pressão inflacionária, protege a estrutura de custos e favorece a captura de spreads em cenários voláteis.
Operacionalmente, integrar Sol do Cerrado e a UHE Risoleta Neves à Aliança fortalece o eixo Minas Gerais — onde a Vale concentra ativos, logística e reservas — enquanto a diversificação com eólicas no Nordeste dilui riscos e amplia a segurança do suprimento. Essa base energética firme sustenta a rota de aço de baixa emissão (Mega Hubs) e compromissos com clientes, reduzindo riscos de execução em projetos intensivos em eletricidade. O encadeamento estratégico é claro: garantir energia renovável competitiva viabiliza a expansão por qualidade e a transição para redução direta, em linha com a agenda de descarbonização e estratégia ativa de portfólio detalhadas no Analyst & Investor Tour 2025. Para o investidor, os próximos marcos a monitorar incluem o uso do caixa recebido, os termos de offtake, a performance dos ativos incorporados na Aliança e a estabilidade regulatória dos contratos de energia.







