Em 24 de setembro de 2025, o GPA (PCAR3) informou que tomou conhecimento de uma medida cautelar, com pedido liminar e caráter antecedente à arbitragem, ajuizada pelo Assaí contra Casino Guichard Perrachon S.A., Segisor e o próprio GPA. Em síntese, o Assaí pede a indisponibilidade das ações do GPA detidas direta ou indiretamente pelo Casino — ou, alternativamente, que eventual alienação seja condicionada a depósito judicial/garantia idônea — e que o GPA apresente garantias suficientes para mantê-lo indene quanto a contingências tributárias anteriores à cisão concluída em 31/12/2020. O GPA afirma não ter sido formalmente citado, diz cumprir integralmente o Contrato de Separação e Outras Avenças celebrado em 14/12/2020 e informa que adotará as medidas necessárias para defender seus interesses e manter o mercado atualizado.
Do ponto de vista de governança e disclosure, o fato relevante preserva a linha de disciplina informacional adotada pela companhia para reduzir ruído e centralizar comunicações em canais oficiais — abordagem evidenciada na resposta ao Ofício da B3 que negou capitalização privada e atualizou o projeto de redução de pessoal. Em um cenário potencial de arbitragem envolvendo obrigações de uma cisão, essa coerência de mensagens e o emprego de ritos formais ajudam a conter especulações sobre liquidez, eventuais garantias e potenciais impactos financeiros, permitindo que o debate se concentre em cronologia contratual, escopo de contingências e critérios de provisionamento.
Societariamente, a iniciativa do Assaí chega em meio a um ciclo de recomposição do Board que busca ampliar independência e rigor de supervisão — atributos críticos para lidar com passivos legados de cisões, governança de garantias e políticas de risco. Esse reposicionamento ganhou tração com o pedido de AGE para destituição integral do Conselho e eleição de novos membros, cujo objetivo declarado é alinhar representatividade econômica e competência técnica. Em um contencioso arbitral, um colegiado mais técnico e com quórum previsível tende a acelerar análises de impacto, a interlocução com comitês de auditoria e a tomada de decisão sobre eventuais medidas de mitigação, sem perder a coerência estratégica.
Na mesma trilha, a agenda avançou com a submissão de chapa com nove candidatos e pedido de AGE para recompor o Conselho, transformando a pauta de governança em proposta concreta de recomposição. Essa continuidade institucional sustenta a capacidade do GPA de administrar, com transparência, discussões sobre garantias relacionadas ao Contrato de Separação, eventuais depósitos vinculados e critérios de proteção a terceiros. Para o investidor, o sinal é de fortalecimento dos ritos: comitês e Board calibrados para supervisionar riscos legais e fiscais, priorizando previsibilidade e disciplina de capital enquanto o tema evolui no foro apropriado.
Por fim, o pedido de indisponibilidade das ações do GPA detidas pelo Casino pode dialogar diretamente com a arquitetura acionária em reconfiguração. Caso haja restrições à circulação desses papéis, ganha relevância a estabilidade construída com a elevação da participação para 24,6% e formação de bloco estável, que tem contribuído para previsibilidade de voto e redução de volatilidade decisória. Em termos práticos, a combinação de um bloco doméstico mais coeso, a eventual limitação sobre a posição do antigo controlador e um Board em recomposição pode mitigar incertezas sobre quórum e direção estratégica enquanto a controvérsia avança, mantendo o foco operacional em rentabilidade, maturação de lojas e disciplina de caixa.







