Em 24 de setembro de 2025, a Três Tentos (TTEN3) protocolou na CVM o pedido de registro automático para uma oferta de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) emitidos pela Opea Securitizadora, lastreados em CPR-F da companhia. O montante inicial é de R$ 500 milhões, em até três séries, com opção de lote adicional de até 25%. O bookbuilding definirá o número de séries, a quantidade de CRA por série, os volumes e as taxas. A remuneração está estruturada em: (i) Primeira Série atrelada à Taxa DI, limitada a 103,75% a.a.; (ii) Segunda Série a 100% da DI acrescida, exponencialmente, de spread de até 0,60% a.a.; e (iii) Terceira Série com taxa prefixada, limitada ao maior entre DI1F30 + 0,60% a.a. (base 252) e 14,00% a.a. A emissão está prevista para 15/10/2025, com vencimentos em 2030 (1ª) e 2032 (2ª e 3ª), amortização do principal em parcela única e juros semestrais. O comunicado reforça que não se trata de oferta de venda e remete ao Aviso ao Mercado e ao Prospecto Preliminar.

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Este movimento dá continuidade à estratégia de financiamento do ciclo de investimentos da companhia. Ao casar prazos de 5 a 7 anos com a dinâmica operacional de originação via CPR-F, a estrutura com “Sistema de Vasos Comunicantes” permite ajustar alocação entre séries conforme demanda e preço, preservando custo de capital e flexibilidade. A emissão se alinha ao capex 2024–2030 e à combinação de 45% em captações e 25% em operações estruturadas prevista no “Novo Ciclo de Crescimento”, cujo cronograma concentra 39% dos desembolsos em 2025 e prioriza projetos de alto impacto, como a planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (início em 2026) e o terminal de Miritituba, além da expansão comercial com novas lojas.

Diferentemente de captações oportunísticas, a oferta de CRA consolida a política de financiamento diversificada e aderente ao pipeline industrial e logístico, reduzindo dependência de fontes específicas e alongando passivos em linha com a geração de caixa esperada. O movimento também conversa com a disciplina financeira e a execução demonstradas na virada operacional no 2T25, quando a companhia manteve o cronograma da planta de MT mesmo diante da suspensão temporária de desembolsos do BNDES e reforçou a flexibilidade financeira. Em síntese, a operação reforça a coerência entre estrutura de capital, necessidades de capital de giro do agronegócio (CPR-F) e a maturação dos projetos-chave até 2030.

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