Marfrig e BRF oficializaram, nesta segunda-feira (22/9/2025), a nova estrutura executiva após o fechamento da incorporação de ações da BRF pela Marfrig. Miguel de Souza Gularte assume como Diretor Presidente Global e o organograma passa a refletir frentes claras de captura de valor: Operações Industriais e Logística, Agro e Qualidade, Mercado Halal, Jurídico/Tributário/Assuntos Corporativos e Gente, Finanças/RI/Gestão/Tecnologia, Mercado Internacional e Supply, Mercado Brasil e Marketing, além de Originação e Agro Bovinos. A transição também reorganiza a governança, com Rui Mendonça Júnior atuando como consultor, Tang David a ser indicado ao Conselho e a saída de executivos, sinalizando simplificação de reporte e unidade de comando. O passo coroa o rito que, no eixo concorrencial, avançou com a aprovação do CADE em 5 de setembro, principal gatilho regulatório, alinhando o cronograma antitruste ao societário e abrindo a fase de padronização sob a MBRF.
Este movimento consolida a estratégia iniciada no Protocolo de 15 e 26 de maio e validada pelas AGEs concluídas em 5 de agosto: centralizar Finanças, RI, Gestão e Tecnologia sob Jose Ignacio Scoseria e segmentar mercados (Brasil, Internacional e Halal) dá tração às alavancas de compras conjuntas, logística integrada e inteligência de precificação. Em outras palavras, a estrutura transforma o desenho de portfólio (bovinos, aves e suínos) em execução disciplinada de sinergias e mitigação de ciclicidade. Essa lógica já havia sido comunicada nos resultados do 2T25, com aprovação societária e estimativa de R$ 485 milhões/ano em sinergias, quando a BRF representou parcela relevante da receita consolidada e serviu de âncora de margens, preparando o terreno para a etapa organizacional agora anunciada.
No eixo societário e de capital, a estabilidade da base acionária e a baixa fricção do recesso permitiram preservar o cronograma de integração e, ao mesmo tempo, sinalizar confiança aos investidores. A distribuição de caixa recente — materializada nos dividendos intermediários aprovados em 18 de setembro — reforça a mensagem de previsibilidade operacional e disciplina financeira, sem desviar recursos críticos da captura de sinergias. Ao combinar remuneração ao acionista com execução de integração, a companhia sustenta a narrativa de que a MBRF nasce com caixa, governança e foco operacional alinhados.
Por fim, o padrão de só avançar com segurança jurídica e operacional se confirma como traço da gestão em 2025: a mesma prudência aplicada à incorporação — com etapas cumpridas e comunicação em cada marco — já havia se evidenciado na postura de estrito cumprimento de condições precedentes nas unidades do Uruguai. Essa coerência de governança ajuda a explicar por que a nova estrutura chega com baixa incerteza residual, mantendo o mercado informado e a execução no centro da agenda.







