A Marfrig Global Foods divulgou no 2T25 receita líquida de R$ 37,776 bilhões (+8,6% a/a), EBITDA ajustado de R$ 3,012 bilhões (-10,8% a/a), margem de 8,0% (-174 bps) e lucro líquido de R$ 85,2 milhões (+13% a/a). Por segmento: América do Norte com receita de US$ 3,263 bilhões e EBITDA de US$ 25 milhões (margem 0,8%); América do Sul com receita de R$ 4,028 bilhões e EBITDA de R$ 439 milhões (margem 10,9%); e BRF com receita de R$ 15,266 bilhões e EBITDA de R$ 2,5 bilhões (margem 16,4%). O caixa operacional somou R$ 3,046 bilhões, o FCL recorrente foi positivo em R$ 271,7 milhões após capex de R$ 1,413 bilhão, alavancagem de 2,71x e dívida líquida de R$ 37,6 bilhões. No trimestre, houve recompra de R$ 515,3 milhões e investimento de R$ 338 milhões para aumentar a participação na BRF; em ESG, 100% dos fornecedores diretos foram monitorados e houve avanço no controle de indiretos.

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Em governança, os acionistas de Marfrig e BRF aprovaram a incorporação de ações e a criação da MBRF. Este marco conclui a etapa deliberativa aberta com a retomada da assembleia extraordinária para incorporação em 5 de agosto e inaugura a fase de execução de sinergias. A administração sinaliza início imediato de captura de valor, com sinergias estimadas em R$ 485 milhões/ano, alavancadas pelo peso da BRF no trimestre (40% da receita, margem de 16,4%) e por iniciativas em compras, logística e finanças, enquanto a combinação de bovinos, aves e suínos tende a suavizar a ciclicidade e sustentar o caixa. No rito societário, também foram preservadas salvaguardas aos minoritários, como o início do período para exercício do direito de retirada por acionistas dissidentes em 5 de agosto, com reembolso calculado e prazo até 5 de setembro. Após o cumprimento das condições precedentes, a companhia deve avançar para padronização de processos, compras conjuntas e otimização logística, preservando compromissos ESG no monitoramento de fornecedores e mantendo disciplina de alavancagem.

Na leitura operacional, a pressão de margens na América do Norte (0,8%) reflete o ciclo do gado e spreads comprimidos, mas a estratégia de diversificação e acesso multigeográfico reduz riscos específicos. Em junho, a companhia destacou impacto mínimo das novas tarifas dos EUA e a diversificação via Uruguai/Argentina e a National Beef, reforçando a resiliência do portfólio frente a mudanças regulatórias. Esse desenho ajudou a equilibrar o trimestre, com a BRF contribuindo margens superiores, geração de caixa positiva e manutenção da alavancagem em 2,71x, criando colchão para a integração operar sem rupturas e para continuidade do programa de recompra e investimentos seletivos. Esse contexto se apoia em uma base acionária estável e comprometida, evidenciada quando os principais investidores de referência sinalizaram apoio com movimentos prévios de capital, e os controladores elevaram participação para 75,33% do capital, reforçando a governança para acelerar a agenda de sinergias da MBRF.

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