O Bradesco aprovou o pagamento de R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP) intermediários, o que equivale a R$ 0,270146729 por ação ON e R$ 0,297161402 por ação PN. Têm direito os acionistas na base de 29/9/2025; as ações serão negociadas ex-direito a partir de 30/9/2025 e o pagamento ocorrerá até 30/4/2026. O valor líquido será de R$ 0,229624720 (ON) e R$ 0,252587192 (PN), já com IR de 15%, e os juros serão computados no dividendo obrigatório do exercício — reforçando a política de retorno ao acionista. O banco destacou que o montante corresponde a 15,7 vezes o JCP mensal.

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O tamanho do JCP sinaliza confiança na geração de caixa e na posição de capital em meio a um ciclo de rentabilidade em recuperação. Isso se apoia no desempenho recente, com aceleração de receitas, ROE em alta e provisionamento sob controle, além de distribuição de JCP relevante no trimestre, como evidenciado nos resultados do 2º trimestre de 2025, quando o lucro e os índices de capital avançaram.

O caráter “intermediário” e o múltiplo expressivo sobre o JCP mensal sugerem que o conselho calibra retorno sem comprometer investimentos e buffers regulatórios. Em bancos, decisões desse tipo costumam refletir maior visibilidade sobre lucros futuros e riscos de crédito. No caso do Bradesco, a redução de inadimplência, a diversificação de receitas e ganhos de eficiência aumentam a previsibilidade operacional, criando espaço para distribuições adicionais ao longo do exercício. Esse movimento também ecoa a ênfase recente em governança e prudência na tomada de decisão — a mesma disciplina na alocação de capital reafirmada em julho.

Do lado dos vetores de resultado que sustentam o caixa, destacam-se seguros, previdência e capitalização, além das receitas de serviços. Ao reancorar expectativas para essas linhas, o banco projeta maior contribuição de negócios menos intensivos em capital, o que tende a suportar pagamentos extraordinários como este JCP intermediário e a suavizar a sazonalidade do JCP mensal, em linha com o guidance 2025 revisado para seguros e receitas de serviços.

Por fim, a política de distribuição convive com a agenda de criação de valor em adjacências estratégicas. No ecossistema de saúde, o Bradesco tem privilegiado parcerias que compartilham risco, preservam eficiência operacional e potencialmente melhoram a sinistralidade da vertical de seguros — combinando crescimento com disciplina de capital. Esse vetor ficou claro na inclusão do Hospital Glória D’Or na plataforma Atlântica, que aprofunda a verticalização seletiva e a captura de sinergias, conforme a expansão da parceria Atlântica D’Or anunciada em setembro. Em conjunto, esses movimentos conferem lastro para manter remuneração atrativa ao acionista sem abrir mão de oportunidades de retorno estrutural.

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