Nesta quarta-feira, 17 de setembro de 2025, a Suzano (SUZB3) publicou comunicado em resposta ao Ofício nº 189/2025/CVM/SEP/GEA-2. A companhia esclareceu que a menção a “10%”, atribuída ao diretor-presidente em reportagem, não constitui projeção (guidance), mas sim uma indicação aritmética do efeito do primeiro ano cheio de operação da planta de Ribas do Rio Pardo (MS). Em 2024, a produção passou a ser contabilizada apenas a partir de 21/07/2024; em 2025, o ciclo anual completo incorpora o término da curva de aprendizado já comunicado no Fato Relevante daquela data. A empresa reiterou que não divulga projeções de volume e que o efetivo vendido dependerá de condições operacionais e de mercado, lembrando que, em commodities, há correlação entre produção e vendas.

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Este posicionamento preserva a disciplina de disclosure e a coerência de só caracterizar como Fato Relevante aquilo que altera guidance ou premissas públicas. Ele dá continuidade à resposta ao Ofício da CVM que vinculou Fatos Relevantes a mudanças de guidance e tratou a capacidade adicional em Ribas como opcional, quando a administração classificou premissas de ROI e capacidade como estimativas gerenciais, sem asseguração. O comunicado atual repete a mesma matriz: separar comentários explicativos de projeções, contextualizar materialidade (os “10%” como efeito de ramp-up) e indicar as variáveis que condicionam o volume (oferta, demanda e preço). Em termos de governança, reforça a prática de calibrar linguagem para evitar leitura de guidance implícito, assegurando simetria informacional e alinhamento à Resolução CVM 44/21, ao mesmo tempo em que mantém consistência entre execução operacional e transparência com investidores.

Do ponto de vista operacional, o argumento aritmético é consistente com o aprendizado desde a partida de Ribas em julho de 2024 e com a tração de volumes já observada nos resultados do 2T25, quando o volume de vendas subiu com a contribuição de Ribas apesar de preços pressionados. Essa base ajuda a entender por que 2025 tende a refletir o primeiro ano cheio — não como meta de vendas, mas como capacidade disponível estabilizada. À medida que a curva de aprendizado se encerra, variáveis como mix de clientes, estoques, paradas programadas e dinâmica de preço/câmbio seguem podendo deslocar o realizado para cima ou para baixo do potencial teórico, o que torna prudente a recusa em transformar uma referência aritmética em guidance formal.

Por fim, a ênfase de que “o volume efetivo dependerá do mercado” dialoga com a gestão ativa do ciclo que a Suzano vem aplicando. Em agosto, a companhia preferiu preservar margens a maximizar toneladas, anunciando a redução voluntária de 3,5% da produção. Esse histórico reforça que a referência aos 10% não compromete a empresa a perseguir volume a qualquer custo. Na prática, o comunicado de hoje consolida a estratégia iniciada com Ribas: capturar eficiência estrutural, manter flexibilidade de oferta e comunicar com precisão o que é premissa, o que é capacidade e o que é guidance — fortalecendo a previsibilidade para o investidor sem abrir mão da opcionalidade operacional.

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