Nesta terça-feira, 12/08/2025, a Suzano respondeu ao Ofício nº 164/2025/CVM/SEP/GEA-2, que questionou o Fato Relevante de 06/08 sobre o swap de madeira com a Eldorado e duas falas do CEO na teleconferência do 2T25: um retorno interno esperado em torno de 20% e a possibilidade de elevar a produção da unidade de Ribas em 100–150 mil toneladas/ano. A companhia afirmou que o gatilho do Fato Relevante foi exclusivamente a modificação de projeções públicas de CAPEX, conforme o art. 2º da Resolução CVM 44/21. As declarações de retorno e de potencial de produção foram apresentadas como premissas gerenciais, “sem qualquer tipo de asseguração”, e não configuram matéria relevante. A gestão reforçou que tal incremento representaria cerca de 1% da capacidade total (13,4 Mt/ano), portanto de baixa materialidade. Em termos estratégicos, o comunicado consolida a lógica de gestão de ativos biológicos e captura de eficiência que motivou a revisão do CAPEX 2025 para R$ 13,3 bilhões após a permuta de madeira com a Eldorado. Ao amarrar o disclosure ao guidance, a Suzano sinaliza disciplina informacional e foco em alocação de capital. Também deixa explícito que a “opção” de mais volume em Ribas só seria exercida se as condições de mercado justificarem, sem investimento adicional imediato.
Esse fio condutor dialoga com os números e a narrativa de execução do 2º trimestre: a companhia reverteu prejuízo, expandiu volumes apoiada pela entrada plena de Ribas e preservou eficiência de custos mesmo com preços pressionados, destacando os primeiros efeitos da estratégia florestal associada ao acordo. Na mesma ocasião, a administração contextualizou as premissas de retorno e de capacidade que agora foram citadas pela CVM nos questionamentos, conforme registrado nos resultados do 2T25 e na teleconferência em que a gestão detalhou o ROI esperado e a capacidade adicional potencial em Ribas. Em síntese, a permuta de madeira visa elevar a idade média da base florestal no MS, reduzindo custo de colheita e consumo específico de madeira, o que abre opcionalidade operacional futura sem exigir CAPEX incremental, mas não implica compromisso de produção no curto prazo.
Coerentemente, a empresa tem combinado eficiência e prudência na gestão de oferta. A possibilidade de adicionar 100–150 mil t/ano em Ribas foi apresentada como uma opção dependente do ambiente de mercado, e não como decisão tomada. Esse posicionamento se alinha à disciplina mostrada ao priorizar margens em detrimento de volume, movimento evidenciado pela redução voluntária de 3,5% da produção anunciada em 6 de agosto. Na prática, a Suzano reforça: (i) compliance e consistência informacional ao vincular Fatos Relevantes a mudanças de guidance; (ii) foco em eficiência estrutural via otimização florestal; e (iii) gestão ativa do ciclo de celulose, mantendo flexibilidade para capturar upsides quando (e se) o mercado justificar.







