A BrasilAgro (AGRO3) divulgou, em 3 de setembro de 2025, as estimativas iniciais para a safra 2025/26: manutenção da área plantada em 172.610 hectares e produção total projetada de 442.587 toneladas. Para cana-de-açúcar, a companhia projeta 1,9 milhão de toneladas com TCH de 71,53 ao fim de 2025. A manutenção da área decorre de um novo arrendamento no Mato Grosso e da entrada em produção de áreas recentemente transformadas. No recorte por cultura para 2025/26, a empresa estima soja (79.344 ha), milho e milho safrinha (27.328 ha), feijão e feijão safrinha (6.658 ha), cana (29.677 ha), algodão (4.112 ha), pasto (8.649 ha) e outros (16.841 ha). Em 2024/25, a realização de grãos e algodão foi de 366.059 t, 9% abaixo da estimativa inicial, com área efetiva de 173.067 ha, 3% menor, afetada por clima e desafios operacionais.

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O guidance detalha ainda a dinâmica da cana: colheita iniciada em abril, 585,4 mil t até 30 de junho com TCH de 75,06; quadro indica 2,06 mi t realizadas em 2024, 2,27 mi t estimadas em 2025 e 1,86 mi t projetadas em 2025, pressionadas por canavial mais velho, temperaturas elevadas, déficit hídrico, geadas em Brotas (SP) e doença no MT. Este movimento dá continuidade ao que a companhia sinalizou no balanço do ano-safra 24/25, com guidance de clima mais estável e ganhos de produtividade para 25/26, após um ciclo marcado por volatilidade de preços, efeitos climáticos e impacto financeiro de swaps. Nas projeções de 2025/26 por cultura, a soja sobe para 252,0 mil t (vs. 214,7 mil t em 2024/25), milho para 64,9 mil t (45,4 mil t) e milho safrinha para 99,2 mil t (71,5 mil t), enquanto o algodão passa a 8,4 mil t e o algodão safrinha a 9,8 mil t (vs. 17,2 mil t e 12,2 mil t), refletindo realocação de área e foco em produtividade. Os custos estimados por hectare indicam referência de gestão: soja (R$ 5.247/ha), milho (R$ 4.698/ha), milho safrinha (R$ 4.211/ha), feijão (R$ 4.121/ha), feijão safrinha (R$ 2.691/ha), algodão (R$ 12.303/ha), algodão safrinha com pivô (R$ 15.421/ha) e cana (R$ 11.735/ha).

Na pecuária, a reconfiguração do portfólio após a venda da Fazenda Preferência em junho de 2025 estruturada em arrobas explica a nova estimativa de 8.649 ha, 11.567 cabeças e produção de 1,91 milhão de kg em 2025/26. O movimento reforça a estratégia de reciclagem de ativos: monetização de áreas maduras, redirecionamento de capital para arrendamentos e transformação de terras, sustentando a manutenção da área agrícola mesmo após uma safra pressionada. Em síntese, a empresa projeta um cenário operacional mais benigno, ancorado em estabilidade climática e ganhos de produtividade, mas ressalta que as estimativas são hipotéticas. Pontos de acompanhamento: ritmo de renovação do canavial para recuperar TCH, execução comercial e de hedge, integração do novo arrendamento no MT e disciplina de custos por cultura.

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