A BrasilAgro (AGRO3) encerrou o ano-safra 24/25 com receita líquida de R$ 1,12 bilhão e lucro líquido de R$ 138,0 milhões, em movimento que combina resiliência comercial no agrícola e monetização disciplinada do portfólio de terras. No 4T25, a receita atingiu R$ 340,7 milhões, com lucro de R$ 61,3 milhões; o EBITDA Ajustado totalizou R$ 72,0 milhões, enquanto o EBITDA Ajustado Operacional ficou levemente negativo, impactado por perdas com swaps de dívida — um efeito financeiro que contrasta com a estabilidade operacional das principais culturas.
No ano, soja (R$ 364,6 milhões) e cana (R$ 322,2 milhões) lideraram a receita operacional agrícola, com volume comercializado de 2,14 milhões de toneladas, acima de 2024. A gestão destacou que a estratégia comercial e de hedge preservou margens em um cenário ainda volátil de preços e clima, preparando terreno para a safra 25/26, quando projeta condições climáticas mais estáveis e ganhos de produtividade.
O resultado também reflete a continuidade da rotação de ativos: os ganhos com venda de fazendas somaram R$ 180,1 milhões em 2025. Este marco representa a conclusão da fase iniciada na venda da Fazenda Preferência estruturada em arrobas, com TIR de 9,3% ao ano, agora registrada como ganho contábil aproximado de R$ 65,9 milhões e com duration de 2,7 anos (preço mínimo de R$ 309,50/@). A transação, ao lado das etapas de Alto Taquari e Rio do Meio, consolida a tese de monetizar propriedades desenvolvidas para reciclar capital e sustentar retornos ao acionista ao longo do ciclo agrícola.
Em avaliação independente, o portfólio foi estimado em R$ 3,5 bilhões (R$ 29.596/ha útil), enquanto o NAV por ação alcançou R$ 37,47 ao fim de junho/25. A dinâmica de vendas com preço por hectare claramente identificado e cronograma de recebimento indexado reforça a visibilidade sobre a conversão de valor fundiário em caixa — aspecto que tende a amortecer volatilidade de margens operacionais e apoiar a disciplina de alocação de capital.
Para a safra 25/26, a companhia projeta um cenário mais favorável em clima e produtividade. Investidores devem acompanhar a execução comercial (hedges e mix de culturas), a materialização dos recebíveis da Preferência ao longo do prazo e a agenda de reciclagem de ativos, temas que devem ser detalhados na conferência de resultados de 04 de setembro de 2025.







