Em 27 de agosto de 2025, o Grupo Toky (TOKY3) reportou 2T25 com prejuízo de R$88,9 mi, receita líquida de R$330,2 mi e EBITDA ajustado de R$23,0 mi (margem 7,0%). O GMV cresceu 120,8% para R$433,3 mi e a receita avançou 141,2% vs 2T24, refletindo a consolidação da Tok&Stok desde nov/24. A margem bruta consolidada atingiu 53,7% (55,1% ex mais‑valia de estoques). Logística consumiu 13,8% da receita, com continuidade da consolidação de CDs — transferência da operação de móveis nacionais da Tok&Stok de Extrema para Cajamar — e expectativa de economia anualizada de R$23 mi a partir de jan/26. O período também teve marketing e vendas de R$46,5 mi (14,1% da receita) e despesas administrativas de R$20,8 mi (6,3%).

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Apesar do avanço operacional, o EBIT ficou negativo em R$28,5 mi, pressionado por depreciação e amortização de R$47,8 mi, sobretudo de lojas físicas da Tok&Stok, e o resultado financeiro líquido foi negativo em R$65,9 mi, refletindo a estrutura de dívida da aquisição e juros sobre antecipação de recebíveis. Este quadro no passivo dialoga com a preparação dos credores observada na assembleia de debenturistas convocada por Santander e Bradesco para flexibilizar covenants mediante aporte mínimo de R$150 mi em caso de mudança de controle, sinal de que a reestruturação financeira permanece eixo central da tese. Ao mesmo tempo, a gestão reportou sinergias anualizadas de R$64 mi já capturadas em 2025, novas iniciativas logísticas de R$23 mi para 2026, redução de estoques superior a R$46 mi e expectativa de amortização integral da mais‑valia de estoques ao longo de 2025, além de sazonalidade favorável no 2º semestre.

Entretanto, diferentemente do que se especulava no início de agosto, a trilha de M&A arrefeceu e a companhia seguiu focada em integração e eficiência. Esse compasso de espera ficou claro com o cancelamento da segunda convocação da assembleia de debenturistas da Tok&Stok, após a primeira não se instalar, o que reduz a probabilidade de uma transação acelerada e mantém a disciplina de caixa — houve queima de R$8 mi no trimestre — como prioridade enquanto as margens operacionais (Mobly 45,7% e Tok&Stok 58,4% de margem bruta) evoluem gradualmente. Na prática, o trimestre reforça a estratégia de capturar sinergias logísticas, reequilibrar a alocação de marketing para lojas físicas e diluir custos fixos com maior alavancagem de vendas em períodos sazonais mais fortes.

No front societário, os resultados saem em meio ao redesenho da base acionária. Esse movimento ganhou tração com a conclusão da saída integral da Home24, que aumentou o free float e encerrou a influência do antigo acionista estrangeiro, abrindo espaço para novos institucionais observarem a tese enquanto o debate com credores amadurece. Desde então, a narrativa tem sido de estabilização: a empresa informa não haver operação de mudança de controle em curso, enquanto investidores acompanham a execução operacional e a normalização do capital de giro, com ênfase na redução de estoques e na captura de sinergias anunciadas.

Mais recentemente, essa dispersão acionária se consolidou com entradas de perfil financeiro, sem intenção de influência societária, como evidenciado pela posição de 6,68% declarada pela DSK Capital. Para o investidor, o 2T25 funciona como capítulo de transição: operações e margens se ajustam sob a integração da Tok&Stok, enquanto a agenda de passivos e governança migra de uma janela potencial de M&A para uma fase de execution, na qual ganhos de eficiência (logística, marketing e SG&A) e disciplina financeira serão determinantes para converter crescimento de GMV em geração de caixa.

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