A Mobly (TOKY3) informou que a HOME24 concluiu a alienação de 52.482.042 ações ordinárias, equivalentes a cerca de 42,75% do capital, e vendeu as demais 2.000.000 em block-trade, deixando de deter qualquer participação na companhia. Como consequência, os conselheiros indicados pela investidora, Philipp Christopher Steinhäuser e Marc Dominic Appelhoff, apresentaram renúncia. O comunicado reforça que o objetivo foi desinvestimento, sem intenção de alterar o controle. Este passo dá continuidade ao anúncio de 30 de julho que formalizou a intenção de alienar 42,75% do capital e sair integralmente da base acionária, agora efetivamente consumado.

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Estratégicamente, a conclusão redesenha a base acionária, aumenta o free float e zera a influência direta do antigo acionista estrangeiro na governança, em um processo sinalizado como transição ordenada — sem acordos paralelos de voto e sem evento de mudança de controle. O timing se sobrepõe ao arcabouço de M&A discutido no passivo financeiro: credores da Tok&Stok avaliavam flexibilizar covenants para viabilizar uma eventual transação condicionada a capital novo, como delineado na assembleia de debenturistas proposta por Santander e Bradesco com exigência de aporte mínimo de R$ 150 milhões pelo novo controlador. Esse pano de fundo ajuda a entender por que a saída da Home24 foi lida como abertura de espaço para potenciais interessados, ainda que sem oferta formal.

Desde então, porém, a cadência regulatória e de credores indicou prudência: a AGD de 1º de agosto não chegou a ser instalada por falta de quórum, e a segunda convocação, que poderia retomar o tema, acabou retirada. Esse desenrolar sugere que, embora a estrutura acionária esteja “destravada” pela saída da investidora estrangeira, uma consolidação ou entrada de controlador ainda depende de maior alinhamento com credores e de capital comprometido. Esse passo atrás ficou explícito no cancelamento da segunda convocação da AGD da Tok&Stok, comunicado em 11 de agosto com base em carta de 8 de agosto, reforçando que a companhia atravessa, por ora, uma fase de reequilíbrio societário e governança enquanto mantém o mercado informado sob a Resolução 44 da CVM.

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