A Aneel aprovou a 6ª revisão tarifária periódica da Energisa Paraíba (EPB), com vigência a partir de 28 de agosto de 2025. O efeito médio ao consumidor será de +13,59% (+12,11% para alta e média tensão; +13,94% para baixa tensão). No processo quinquenal, a agência recalcula Parcela A (custos não gerenciáveis), Parcela B (custos gerenciáveis) e componentes financeiros com base na inflação dos 12 meses. A Base de Remuneração Regulatória foi definida em R$ mil: BRR bruta 5.023.691 e líquida 3.018.854. O Fator X considerou produtividade (Pd +1,46%), trajetória de OPEX (T +1,39%) e qualidade (Q -1,12%). Os limites de perdas reconhecidos foram: técnica 8,57% e não técnica 4,62% (total 13,19%).

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Este reposicionamento tarifário dá continuidade ao ciclo de recomposições regulatórias nas distribuidoras do grupo, a exemplo da quinta revisão tarifária da ETO aprovada em julho. Assim como no Tocantins, a revisão da EPB alinha custos eficientes, remuneração do capital e trajetória de qualidade, calibrando a Parcela B via ganhos de produtividade e a Parcela A pelos custos setoriais e de energia. Na EPB, os principais vetores foram energia comprada, encargos e transporte (Parcela A total de R$ 2.260.193 mil), além de remuneração do capital e reintegração regulatória, compondo receita requerida de R$ 3.531.608 mil. Em termos estratégicos, a consolidação do ciclo regulatório reduz volatilidade de caixa e melhora a previsibilidade do fluxo de recebíveis nos próximos anos do contrato.

Na dimensão corporativa, a aprovação na Paraíba reforça a tese de que 2025 é um ano de normalização regulatória para a Energisa. Ao reancorar a receita das concessões, o grupo sustenta a trajetória de recuperação observada ao longo do segundo trimestre e entra no 2º semestre com maior visibilidade de geração de caixa e alavancagem controlada, em um contexto de inflação desacelerando e consumo resiliente. Esse pano de fundo conecta-se aos resultados do 2T25, com avanço de 21,6% no EBITDA e forte lucro recorrente, quando a companhia já havia capturado parte do ciclo de reajustes e revisões iniciado entre junho e julho.

Operacionalmente, o componente de qualidade (Q -1,12%) evidencia a exigência regulatória por continuidade e confiabilidade do serviço. Para transformar esse desafio em eficiência sustentável, a Energisa vem intensificando digitalização, automação e gestão ativa de rede, com ganhos diretos em DEC/FEC e combate a perdas. Essa agenda tecnológica já foi explicitada no plano ADMS de R$ 160 milhões para modernizar a distribuição até 2027, que integra IA, sensores e drones para acelerar a identificação de anomalias, reduzir PMSO e sustentar a consecução das metas de qualidade impostas pela Aneel ao longo do ciclo.

Do lado de volumes e perdas, a revisão da EPB reconhece limites que dialogam com a dinâmica recente das distribuidoras do grupo. Em julho, o boletim operacional mostrou normalização do consumo após base climática elevada em 2024, com destaque para a Paraíba, ao mesmo tempo em que as perdas totais do consolidado permaneceram controladas em 12 meses. Esse contexto ajuda a explicar a calibragem regulatória e tende a mitigar desvios entre volumes e receita reconhecida, como indicado no boletim de consumo de julho, com EPB crescendo 4,4% e perdas do grupo em 12,29%. Em conjunto, volumes mais estáveis, metas de qualidade e recomposição tarifária sustentam a geração de caixa regulatória da EPB no novo ciclo.

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