Nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, a Energisa reportou consumo consolidado de 24.532,2 GWh nos sete primeiros meses de 2025 (+0,5% a/a). Em julho, foram 3.349,2 GWh, praticamente estável frente a jul/24. A leitura mensal foi afetada pela base excepcionalmente alta de julho de 2024 (ondas de calor) e por clima mais ameno e maior pluviometria neste ano. Entre as distribuidoras, seis de nove cresceram, com destaque para EPB (+4,4%), ETO (+6,3%) e ESE (+5,5%), enquanto EMS (-10,9%), EAC (-4,4%) e ERO (-2,9%) recuaram, incluindo a redução de uso da rede por um grande cliente com geração própria na EMS. Este arrefecimento em julho sucede à aceleração de 7,0% no consumo registrada em junho, que havia sinalizado recuperação do ritmo operacional no 2º trimestre.
Por classe em julho, residencial liderou (+2,6%), comercial avançou (+0,9%) e industrial retraiu 0,6% com queda concentrada na EMS; o rural diminuiu, puxado por ESS, EMS e EMT. No acumulado de 2025, residencial cresce 2,0% e industrial 2,3%, ao passo que comercial (-1,5%), rural (-2,5%) e Outros (-2,4%) recuam. O cativo somou 17.664,0 GWh (-3,8%), enquanto a energia associada aos consumidores livres (TUSD) atingiu 6.868,2 GWh (+13,8%), evidenciando a continuidade da migração para o mercado livre e maior monetização via tarifa de uso da rede. As perdas totais ficaram em 12,29% em 12 meses (vs. 12,04% no 2T25), ainda dentro do limite regulatório de 12,38%. O calendário de faturamento mais extenso contribuiu para ESE e ETO, enquanto base elevada e clima explicam parte das quedas.
A performance da ETO em julho refletiu demanda industrial (minerais, químicos e alimentos) e o efeito calendário, e deve ser acompanhada em conjunto com a quinta revisão tarifária da ETO, com alta média de 12,68% aprovada pela ANEEL a partir de 4 de julho, que recompõe a receita regulatória e tende a reduzir a volatilidade de caixa, mesmo com volumes moderados. Esse componente regulatório reforça o ciclo de recomposições iniciado no meio do ano e melhora a visibilidade para o 2º semestre.
No front operacional, o leve aumento das perdas e a pressão do segmento rural mantêm no radar a agenda de eficiência e digitalização. A companhia vem implementando automação, IA, inspeções com drones e sistemas avançados de gestão da rede para melhorar DEC/FEC e reduzir perdas técnicas e comerciais, conforme o plano ADMS de R$ 160 milhões até 2027. Esses investimentos são fundamentais para sustentar a qualidade exigida pela Aneel e capturar ganhos de produtividade, sobretudo em áreas extensas e com forte presença agro.
Para investidores, o dado de julho sugere normalização após uma base climática excepcional, ao mesmo tempo em que a receita se beneficia de reajustes e da expansão do TUSD com a migração ao mercado livre. O próximo ponto de atenção é como essa combinação se traduzirá no 3º trimestre, após o robusto desempenho operacional do 2T25, quando a Energisa reportou lucro recorrente de R$ 440,5 milhões e expansão de 21,6% no EBITDA, ancorados por revisões tarifárias e pela aceleração do consumo. A leitura do boletim é preliminar e não auditada, e deverá ser detalhada no release trimestral.







