A revisão da Fitch para BB-, com observação negativa, encaixa-se no quadro de ciclo de baixa mais longo na petroquímica, pressionando spreads e a liquidez do setor. Ao reiterar o foco em “higidez financeira” e “iniciativas de resiliência”, a Braskem sinaliza continuidade de uma agenda de preservação de caixa, disciplina de alavancagem e competitividade doméstica, em linha com o discurso de isonomia para a indústria química brasileira.

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Este movimento consolida o diagnóstico já perceptível nos números recentes: os resultados do 2T25, quando o EBITDA recorrente caiu 77% e a empresa detalhou posição de caixa de US$ 1,7 bi e dívida com prazo médio de 9 anos, evidenciaram compressão de margens e descompasso entre custos de matérias-primas e preços de venda. A leitura de risco, portanto, combina ambiente de preços desfavorável, volatilidade operacional entre regiões e a necessidade de priorizar geração de caixa e flexibilidade financeira, exatamente os pontos que a companhia volta a frisar no comunicado de hoje.

No plano operacional, a pressão de mercado e a normalização gradual de plantas já vinham sendo mapeadas no relatório de produção do 2T25, que apontou estabilidade no Brasil, desafios relevantes no México devido à parada de manutenção e queda nas referências internacionais de PE, PP e PVC. Esse pano de fundo ajuda a entender a observação negativa da Fitch: spreads comprimidos e incertezas comerciais globais elevam o risco para a liquidez setorial, o que exige medidas defensivas e calibragem fina de estoques, capex e mix de vendas para sustentar o ciclo de caixa.

Como resposta estratégica, a companhia vem acelerando iniciativas de resiliência e otimização de portfólio, incluindo a avaliação de ativos e as conversas com a Unipar no âmbito do Programa de Resiliência e Transformação. Esse vetor de rotação/monetização de ativos e foco em projetos de maior retorno conecta-se diretamente ao objetivo de reduzir risco, maximizar EBITDA e reforçar caixa em um contexto de preços pressionados, ampliando a capacidade de atravessar o downcycle sem comprometer a agenda de competitividade no Brasil.

Em paralelo, a governança segue em transição, com a aprovação pelo CADE, sem restrições, da operação envolvendo o controle societário, o que pode abrir espaço para diretrizes de capital e eficiência mais claras no médio prazo. Até lá, a manutenção de liquidez robusta e o avanço de medidas de isonomia (como o PRESIQ) permanecem críticos para a nota de crédito. A companhia também destaca os riscos e incertezas ligados às declarações futuras, incluindo potenciais impactos do evento geológico em Alagoas e questões legais associadas, elementos que seguem no radar de risco operacional e jurídico.

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