Nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025, a Copel aprovou em Assembleia Geral Extraordinária a unificação de ações e a totalidade dos itens relacionados à migração para o Novo Mercado da B3. Com a deliberação, a companhia avançará para: (a) obter anuências (waivers) de credores cujos contratos preveem vencimento antecipado em razão das decisões da AGE; (b) convocar assembleia especial de preferencialistas, nos termos do art. 136, §1º, da Lei das S.A.; e (c) protocolar o pedido de migração à B3, visando à admissão das ações no segmento. A empresa divulgará Aviso aos Acionistas com prazos e regras para o exercício do direito de recesso pelos titulares de ações ordinárias dissidentes do item 3; o pagamento do reembolso dependerá da confirmação dos waivers. O fato é assinado pelo vice‑presidente de Finanças e RI, Felipe Gutterres.

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Este resultado consolida a estratégia anunciada pelo Conselho quando houve a aprovação do início da migração ao Novo Mercado, com conversão obrigatória das preferenciais e resgate de R$ 0,7749 por PNC. Ao unificar a classe de ações e elevar o nível de governança, a Copel busca ampliar liquidez, simplificar a base acionária e atrair investidores institucionais, mantendo a golden share do Estado do Paraná. Na prática, a migração também cria previsibilidade para decisões societárias futuras, reduz potenciais conflitos entre classes de papéis e alinha o capital alocado à disciplina de dividendos e à estrutura ótima de capital já comunicadas, fatores que tendem a reduzir o custo de capital e a volatilidade do papel.

Do ponto de vista procedimental, a aprovação de hoje coroa um ciclo de ajustes e validações regulatórias que incluiu a retomada da AGE autorizada pela CVM em 18/08. Antes disso, a companhia enfrentou interrupções de prazo e ajustes de pauta, com reenvio de boletins de voto a distância, até estabilizar o rito deliberativo. A sequência demonstra aprendizado e robustez de governança: preservar instruções de voto quando possível, disponibilizar manuais atualizados e antecipar potenciais fricções com credores por meio da negociação de waivers. Com a deliberação favorável, os próximos marcos são a assembleia especial de preferencialistas, a confirmação das anuências contratuais e a análise da B3, que determinará a efetiva admissão no segmento de mais alta governança.

No ângulo econômico-financeiro, a migração não ocorre no vácuo: a administração já vinha conectando eficiência operacional e governança aos resultados, como nos números do 2º trimestre de 2025, quando destacou a resiliência do EBITDA e reiterou a proposta de migração. A convergência entre simplificação societária, reorganização de portfólio e base de receitas mais previsíveis compõe uma tese de menor risco e maior qualidade para investidores institucionais. Catalisadores a monitorar: cronograma e parâmetros do recesso, taxa de conversão efetiva do free float para ON, condições dos waivers e eventual condicionante da B3 — passos que concluirão a transição e calibrarão a nova base acionária da Copel.

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