A Vale (VALE3) informou que a barragem Forquilha III, na mina Fábrica (Ouro Preto, MG), teve o nível de emergência reduzido de 3 para 2 por decisão da ANM, registrada no SIGBM. Com isso, a companhia não possui mais estruturas em nível 3 de emergência em 2025. A empresa destacou ainda ter implementado, no prazo, o Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM) para todas as suas barragens de rejeitos. A mudança decorre de novas informações de campo e laboratório, estudos e melhorias de instrumentação que elevaram os fatores de segurança. Forquilha III integra o Programa de Descaracterização de Barragens a Montante e tem início de descaracterização previsto para 2026, com monitoramento 24/7 pelo Centro de Monitoramento Geotécnico.
Este movimento consolida a estratégia de de-risking iniciada após 2019: a Vale vem eliminando estruturas críticas e preparando descaracterizações a montante, em fases. A companhia já havia reportado avanços consistentes, com descaracterização de 17 das 30 barragens até dezembro de 2024, o que criou base operacional e técnica para acelerar a retirada de estruturas do mais alto nível de emergência. A redução do nível da Forquilha III se conecta a essa trajetória de execução: ao migrar de nível 3 para 2, a Vale avança da contenção de risco para a etapa de engenharia definitiva (descaracterização), preservando a licença social e regulatória para sustentar projetos core de minério de ferro e metais para transição energética.
Além do padrão técnico exigido pelo GISTM, a sustentação desse avanço passa por governança mais robusta e supervisão ativa de riscos. A companhia reforçou processos de controle e reporte, com ênfase em integridade dos dados geotécnicos, cadência de auditorias independentes e capacidade de resposta a anomalias de instrumentação. Esse arcabouço é reforçado pela nova coordenação do Comitê de Auditoria e Riscos aprovada em 31 de julho, que amplia a capacidade de supervisionar aderência regulatória, qualidade das divulgações e eficácia das ações corretivas, encurtando o ciclo entre detecção de risco e mitigação — fator crítico para consolidar a transição de emergências para obras de descaracterização.
No plano estratégico, a eliminação de barragens em nível 3 em 2025 é outro capítulo de uma narrativa de redução de incertezas socioambientais e jurídicas. Essa disciplina de governança e execução dialoga com marcos jurídicos recentes, como a conclusão da Recuperação Judicial da Samarco e consolidação da transformação de governança, que sinalizam maior previsibilidade no tratamento de passivos e no cumprimento de acordos. Para investidores, o conjunto reduz o prêmio de risco, protege a licença para operar e cria condições para alocar capital com mais eficiência enquanto a Vale progride para descaracterizar Forquilha III em 2026. Acompanhar cronograma, marcos de obra e indicadores de segurança será chave para confirmar a manutenção dessa trajetória.







