No 2T25, a SLC Agrícola reportou receita líquida de R$ 1,862 bilhão (+37,8% a/a), EBITDA ajustado de R$ 556,6 milhões (margem de 29,9%) e lucro líquido de R$ 139,8 milhões (-56,5% a/a). No 1S25, a receita somou R$ 4,193 bilhões (+26,7%), o EBITDA ajustado atingiu R$ 1,5 bilhão (margem de 35,8%) e o lucro ficou em R$ 650,5 milhões (+18,2%), com “recorde histórico de volume e receita faturada”. O trimestre refletiu maior volume de soja (+99,9%) e milho (+88,9%), compensando parcialmente a queda no algodão em pluma (-6,2%); o resultado bruto foi de R$ 656,0 milhões (margem de 35,2%), pressionado por menor efeito de valor justo (VVJAB/VRLPA – RVJAB) em R$ 452,5 milhões, ainda que o resultado da soja tenha melhorado. Por cultura, o resultado bruto unitário foi de R$ 508/t na soja (R$ 52/t no 2T24), R$ 355/t no milho (R$ 141/t), R$ 3.325/t no algodão em pluma (estável) e R$ 453/t no caroço (de R$ -11/t para positivo). A companhia incorporou a Sierentz Agro (~100 mil ha arrendados), elevou a estimativa de área para ~830 mil ha em 2025/26 e anunciou projeto de irrigação de 37,1 mil ha no Oeste Baiano (meta de 53 mil ha irrigados). Este movimento dá continuidade à expansão de 14% na área plantada para 830 mil hectares em 2025/26, reforçando a estratégia de escala com disciplina de capital.

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Na prática, a incorporação de cerca de 100 mil hectares da Sierentz Agro e o pipeline de irrigação de 37,1 mil ha no Oeste Baiano elevam o teto de produção, enquanto as safras 2024/25 já mostram produtividade superior: soja colhida em 3.960 kg/ha (+21,3%), algodão 2ª safra estimado em 2.161 kg/ha (+18,3%) e milho 2ª safra projetando 8.274 kg/ha (recorde). A política de hedge — 95,9% da soja, 70,1% do milho e 56,2% do algodão — reduz a volatilidade de preços e dá previsibilidade ao caixa, importante num semestre em que o fluxo foi negativo (R$ -2,045 bilhões) pelo efeito de aquisições de terras e pagamento de insumos, e a alavancagem encerrou em 2,33x Dívida Líquida/EBITDA ajustado. Esse avanço operacional dialoga com o ROI de R$ 11 para cada R$ 1 investido em agricultura digital, evidenciando que ganhos de eficiência (telemetria, aplicação localizada, IA) vêm sustentando margens mesmo em um trimestre com efeito contábil adverso de valor justo.

Com telemetria, automação e processos padronizados, a SLC comprime custos e amplia previsibilidade, o que ajuda a explicar o salto do resultado unitário da soja (R$ 508/t vs. R$ 52/t no 2T24) e do milho (R$ 355/t vs. R$ 141/t), apesar da pressão do VVJAB/VRLPA – RVJAB sobre o comparativo anual do resultado bruto. A governança financeira permanece robusta (duration de 980 dias), e a companhia realizará conferência em 14/08 para detalhar a colheita do algodão e a execução do plano de irrigação, elementos-chave para o 2º semestre. No front patrimonial, a reavaliação de junho reafirma a valorização das terras para R$ 13,4 bilhões, que, combinada ao NAV de R$ 14,1 bilhões (R$ 31,90/ação), sinaliza fortalecimento do balanço e captura consistente de valor fundiário ao longo da estratégia de expansão e modernização operacional.

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