A Braskem (BRKM3, BRKM5, BRKM6) divulgou na quarta-feira, 30 de julho de 2025, seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre, mostrando operações estáveis no Brasil, mas com desafios significativos no México. A taxa de utilização no segmento mexicano despencou para 44%, uma queda de 35 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

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O principal impacto veio da primeira parada geral de manutenção na central petroquímica da Braskem Idesa no México desde sua inauguração, que reduziu drasticamente a produção de polietileno (PE). As vendas de PE no México caíram 16% no trimestre e 33% na comparação anual, totalizando 155 mil toneladas.

No Brasil, a Braskem manteve a taxa de utilização de eteno em 74%, mesmo patamar do trimestre anterior, mas 3 pontos percentuais acima do registrado no 2T24. O destaque foi a normalização completa das operações em Triunfo (RS), que haviam sido interrompidas no ano anterior devido ao evento climático extremo que atingiu o estado.

As vendas de resinas no mercado brasileiro avançaram 3% no trimestre, totalizando 829 mil toneladas, impulsionadas pela antecipação de compras na cadeia devido aos menores preços internacionais e expectativa de alta no segundo semestre. Já as exportações de resinas subiram expressivos 19% no período.

A estabilidade operacional no Brasil ocorre em um momento estratégico para a companhia, coincidindo com a fase final da transação de controle acionário aprovada pelo CADE em julho, que remove uma das principais barreiras regulatórias para a mudança societária. O cenário de recuperação operacional sustentada pode ter contribuído para a análise favorável da autoridade concorrencial, que não impôs restrições ao ato de concentração.

O cenário global pesou sobre as margens da companhia. As tensões comerciais entre Estados Unidos e China, combinadas com incertezas tarifárias, resultaram em quedas de 10% a 12% nas referências internacionais de preços de PE e reduções de 4% a 7% em PP, PVC e principais químicos. Adicionalmente, os custos foram pressionados por matérias-primas adquiridas em períodos anteriores quando os preços estavam mais elevados.

Nos Estados Unidos e Europa, a taxa de utilização permaneceu estável em 74%, com vendas de polipropileno (PP) crescendo 2% no trimestre devido ao aumento sazonal da demanda americana. O spread médio de PP na região foi de US$ 377 por tonelada, ligeiramente superior ao trimestre anterior.

Para o terceiro trimestre, investidores devem acompanhar a conclusão da parada de manutenção no México e seus impactos na normalização da produção, além da parada programada na central petroquímica do Rio de Janeiro prevista para o período. A evolução das tensões comerciais globais e seu reflexo nos preços internacionais também permanece como fator-chave para as margens da Braskem, em um contexto onde a mudança de controle acionário segue em tramitação após a notificação formal ao CADE.

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