No 2T25, a Terra Santa Propriedades Agrícolas (LAND3) reportou lucro líquido de R$ 5,0 milhões, receita líquida de R$ 29,9 milhões e EBITDA de R$ 9,9 milhões. O desempenho marca uma virada em relação ao 2T24, quando houve prejuízo de R$ 694 mil e receita de R$ 17,8 milhões, refletindo o aumento da receita de arrendamento e os efeitos da renegociação contratual.

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A composição da receita incluiu R$ 17,3 milhões da apropriação de 3/12 da safra 2024/25, R$ 11,6 milhões das sacas adicionais da renegociação com efeito retroativo a setembro de 2024, R$ 911 mil de adiantamento de arrendamento, R$ 87 mil de aluguel do escritório de Nova Mutum e R$ 12 mil de hedge accounting. Apesar do lucro bruto de R$ 28,8 milhões, as despesas operacionais somaram R$ 19,7 milhões (+79% a/a), com G&A em queda para R$ 5,7 milhões e “outras despesas operacionais” de R$ 13,9 milhões, puxadas por provisão para contingência de ICMS (R$ 12,6 milhões). O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 3,4 milhões, melhor que um ano antes, influenciado por R$ 2,0 milhões negativos de variação cambial e derivativos.

A desalavancagem foi um destaque: a dívida líquida caiu 70,2%, de R$ 90,5 milhões (31/dez/24) para R$ 26,9 milhões (30/jun/25), levando a dívida líquida/EBITDA Ajustado a 0,47x (covenants exigem <3x). A queda decorre do fluxo de recebimentos do arrendamento: R$ 71,7 milhões referentes à safra 2024/25 (17 sc/ha) e R$ 14,4 milhões relativos às 3,5 sc/ha da renegociação trienal. O contrato foi reajustado para 20,5 sacas de soja por hectare nas safras 2024/25, 2025/26 e 2026/27, aumentando a previsibilidade de caixa. Em gestão de preços, a companhia fixou 100% da safra 2024/25 a R$ 107,52/sc; em NDF, o dólar está fixado para 100% da 2024/25 e ~49% da 2025/26, e a soja na CBOT para 100% e 39%, respectivamente.

Estratégicamente, o trimestre combina virada operacional e fortalecimento de governança. Dias antes da divulgação, a renúncia de uma conselheira deflagrou, por força da Lei das S.A., a renovação completa do Conselho de Administração anunciada em 8 de agosto de 2025. Essa recomposição pode orientar a próxima fase: execução do reajuste a 20,5 sc/ha, disciplina na alocação do caixa gerado, política de hedge e tratativas do contencioso de ICMS, adicionando supervisão à trajetória de recuperação evidenciada no 2T25.

Como próximos passos, a Terra Santa realiza webinar de resultados nesta terça-feira, 12 de agosto de 2025, às 11h, e aplica o novo valor de arrendamento nas três próximas safras. Para investidores, o foco recai na conversão do novo patamar de arrendamento em geração de caixa consistente, na manutenção da alavancagem baixa frente aos covenants e nos potenciais ajustes estratégicos advindos da nova composição do conselho.

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