A São Martinho (SMTO3) abriu a safra 2025/26 com EBITDA Ajustado de R$ 805 milhões (margem de 43,3%) sobre receita de R$ 1,86 bilhão no 1T26, puxada por maior preço e volume de etanol e por menor contribuição do açúcar. O EBIT Ajustado avançou 7,6% (margem de 17,8%), enquanto o lucro líquido recuou 40,9%, impacto explicado pela variação do valor justo do ativo biológico e por efeitos temporais ligados à remuneração de acionistas no trimestre seguinte. Operacionalmente, a moagem caiu 7,6% (8,2 milhões t) com produtividade e ATR pressionados pela seca de fevereiro e março, ao passo que a operação de milho sustentou volumes e margens, com 137,3 mil t processadas e EBITDA de R$ 95,5 milhões.

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Este resultado consolida a virada do mix para o etanol e dá continuidade à normalização após a adversidade climática e operacional da safra passada, marcada pelos incêndios. Naquele período, a companhia já havia destacado ganhos de eficiência e a estabilização do etanol de milho, apesar do choque na cana, contexto detalhado nos impactos dos incêndios de 2024 e estabilização da planta de etanol de milho no 4T25. O 1T26 reforça essa mudança estrutural: a margem do etanol de cana avançou 12,4 p.p., a energia elétrica cresceu 14,7% e os coprodutos do milho (DDGS e óleo) aumentaram sua relevância nas receitas, reduzindo a dependência do açúcar exatamente quando a qualidade da matéria-prima (ATR) ficou mais fraca.

No capital alocado, a revisão do Capex total para aproximadamente R$ 3,0 bilhões representa inflexão em relação à postura mais conservadora no capex de R$ 2,3 bilhões para 2025/26, e sinaliza aceleração seletiva em projetos de maior retorno. A companhia aprovou a Segunda Fase do etanol de milho (R$ 439 milhões), ampliando uma alavanca que já mostrou resiliência de margens e diversificação de receitas, além de capturar sinergias industriais e de coprodutos. Em paralelo, a ampliação da base de matéria-prima por proximidade de usinas e redução de ociosidade agrícola é reforçada pela aquisição de ativos biológicos da Usina Santa Elisa por até R$ 242 milhões, que adiciona áreas de cana em raio estratégico e se encaixa na lógica de crescimento orgânico com baixo risco de execução. Essa combinação (milho + cana adicional) aponta para maior diluição de custos, melhor uso da capacidade instalada e maior resiliência contra oscilações climáticas e de preço de açúcar.

Financeiramente, a alavancagem ficou em 1,36x Dívida Líquida/EBITDA LTM (Dívida Líquida de R$ 4,9 bilhões), nível compatível com a aceleração de investimento e com a manutenção de proteções de preço: para a safra 2025/26, a empresa já havia fixado ~711 mil t de açúcar a ~R$ 2.529/t. Esse desenho, somado ao caixa gerado e ao alongamento de passivos, sustenta a capacidade de remunerar o acionista e, ao mesmo tempo, financiar projetos com retorno atrativo. Vale lembrar que a distribuição anunciada de R$ 150 milhões em JCP com pagamento em 8 de agosto de 2025 ajuda a entender a dinâmica de comparabilidade do lucro: ao reconhecer esse efeito em período subsequente, o 1T26 parece mais pressionado, mas o ciclo de geração de caixa permanece robusto e coerente com a estratégia de aceleração seletiva do capex.

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