A São Martinho (SMTO3) anunciou guidance de produção e investimentos para a safra 2025/26, projetando capex total de R$ 2,3 bilhões, uma redução de 15,3% frente ao período anterior. A usina espera produzir 3.161,1 mil toneladas de ATR (Açúcar Total Recuperável), crescimento de 1,8% apesar das condições climáticas adversas que afetaram o setor.
A companhia conseguiu expandir a moagem em 3,7% ano contra ano, totalizando 22,6 milhões de toneladas de cana processada, mesmo com o ATR médio previsto 1,9% menor, em 139,9 quilos por tonelada. O desempenho reflete os investimentos realizados após os incêndios de 2024 para recuperação do canavial e melhorias nas práticas agrícolas, episódios que incluíram o incêndio na Unidade Iracema que afetou uma caldeira e motivou estratégias de captação de recursos.
O capex de manutenção representa a maior fatia dos investimentos, com R$ 2,0 bilhões (queda de 1%), enquanto o capex de melhorias operacionais soma R$ 125 milhões (alta de 22%) focado na reposição de frota. Os investimentos em modernização e expansão caíram 62,5% para R$ 200 milhões, incluindo dispêndios residuais do projeto de biometano e expansão do plano de irrigação. A postura mais conservadora nos investimentos de expansão pode refletir a priorização de recursos para recuperação operacional, movimento que se alinha com a captação de R$ 1,25 bilhão via debêntures anunciada em maio para reforçar a estrutura financeira da companhia.
Na operação de etanol de milho, a São Martinho projeta processar 515 mil toneladas de milho, produzindo aproximadamente 217 mil metros cúbicos de etanol. A empresa destaca que as eficiências industriais seguem em linha com os parâmetros do projeto, demonstrando estabilidade operacional da planta.
Os investidores devem acompanhar os próximos resultados trimestrais para verificar se a empresa consegue executar o guidance apresentado, especialmente considerando os desafios climáticos e a recuperação pós-incêndios que ainda influenciam as operações da companhia.







