A Sanepar (SAPR3, SAPR4, SAPR11) reportou lucro líquido de R$ 263,8 milhões no segundo trimestre de 2025, retração de 29,7% ante os R$ 375,5 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado reflete principalmente o aumento de 14,3% nos custos e despesas operacionais, que alcançaram R$ 1,323 bilhão no período. Esta performance contrasta significativamente com o resultado excepcional do primeiro trimestre, quando a companhia registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, impulsionado pelo registro contábil do precatório de R$ 3,979 bilhões.
A receita operacional líquida cresceu 2,5% no trimestre, atingindo R$ 1,705 bilhão, impulsionada pela revisão tarifária de 3,7753% implementada em maio de 2025 e pelo crescimento no número de ligações de água (+1,2%) e esgoto (+2,8%). O EBITDA totalizou R$ 536,0 milhões, com margem de 31,4%, comparado aos R$ 644,0 milhões e margem de 38,7% do 2T24. O aumento nos custos operacionais ganha contexto com a implementação do Plano de Demissão Voluntária aprovado pela empresa, que prevê o desligamento de 225 empregados entre setembro e novembro, numa estratégia de otimização estrutural de custos.
Os investimentos da companhia apresentaram aceleração significativa no período, totalizando R$ 612,1 milhões, alta de 37,0% ante o 2T24. Os aportes em esgoto registraram R$ 367,8 milhões (+40,6%), enquanto água recebeu R$ 182,6 milhões (+17,5%), refletindo o foco na universalização dos serviços conforme previsto no marco legal do saneamento. Esta aceleração alinha-se com a estratégia de expansão em curso, evidenciada pela aprovação dos estudos para o Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná, projeto que contempla os municípios de Apucarana, Arapongas e Rolândia na modalidade de locação de ativos.
A Sanepar manteve disciplina financeira com índice de alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) estável em 1,7x. A empresa atende 346 municípios do Paraná com contratos que se estendem até 2048, posicionando-se para capturar oportunidades do setor de saneamento no longo prazo. A solidez financeira da companhia permitiu que ela distribuísse R$ 420,37 milhões em JCP com base nos resultados do primeiro semestre, demonstrando capacidade de remuneração aos acionistas mesmo em um cenário de normalização dos lucros após o impacto extraordinário do precatório no 1T25.







