A Companhia Brasileira de Alumínio - CBA (CBAV3) registrou prejuízo de R$ 73 milhões no segundo trimestre de 2025, praticamente estável em relação aos R$ 74 milhões negativos do mesmo período de 2024. O resultado marca uma reversão abrupta na trajetória de recuperação financeira consolidada no primeiro trimestre, quando a empresa reduziu drasticamente seu endividamento de 7,89x para 2,15x e reverteu prejuízos históricos. O EBITDA ajustado despencou 44%, totalizando R$ 189 milhões, com margem de 9% ante 16% no 2T24, reflexo principal da parada para manutenção da refinaria de alumina.

Continua após o anúncio

A receita líquida consolidada ficou em R$ 2,0 bilhões, queda de 3% na comparação anual, enquanto o volume de vendas de alumínio recuou 7%, para 119 mil toneladas. A alavancagem financeira subiu para 2,29 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses, ante 2,15 vezes no primeiro trimestre, evidenciando pressão na estrutura de capital mesmo após o programa de desalavancagem iniciado no início do ano.

O principal fator que impactou os resultados foi a parada programada para manutenção de tanques na refinaria de alumina desde março, levando ao desligamento temporário de fornos de produção de alumínio líquido. A companhia precisou adquirir 31,5 mil toneladas de alumina no mercado, com custo mais elevado, para garantir o abastecimento. A produção de alumínio líquido caiu 5 mil toneladas em relação ao 2T24. Esta pressão operacional foi antecipada pela companhia em sua análise de mercado, que destacou os desafios específicos enfrentados durante o período de manutenção.

Apesar dos desafios operacionais, a CBA avançou na estratégia de diversificação energética, assinando acordos para aquisição de participação em ativos eólicos que fornecerão 115MWm a partir de 2027, por R$ 158 milhões. Em julho, como evento subsequente, a empresa concluiu sua segunda emissão de debêntures no valor de R$ 530 milhões aprovada em junho, com custo de CDI+1,20% ao ano e vencimento em 2032, operação que consolida a estratégia de gestão de passivo iniciada no primeiro trimestre.

A execução da emissão de debêntures ocorreu sob a gestão centralizada no CEO, que assumiu temporariamente as funções de diretor financeiro durante licença-maternidade da diretora, garantindo continuidade na supervisão das estratégias financeiras em momento crítico para a companhia. A produção de alumina já está em fase de recuperação gradual, com estabilização esperada até o quarto trimestre. Os fornos de alumínio foram religados e operam em níveis normalizados no terceiro trimestre. A companhia reforçou que a parada foi necessária para assegurar a integridade do processo produtivo de longo prazo, sinalizando recuperação operacional nos próximos trimestres.

Publicidade
Tags:
Companhia Brasileira de Alumínio - CBACBAV3