A Companhia Brasileira de Alumínio - CBA (CBAV3) divulgou nesta terça-feira seu panorama do mercado de alumínio do segundo trimestre de 2025, revelando um cenário de déficit global de 350 mil toneladas e estoques oficiais em mínimas históricas de apenas 47 dias de consumo, abaixo do patamar de equilíbrio de 50 dias.
O relatório destaca que a China registrou o maior consumo de alumínio primário da história para um período de três meses, atingindo 11,9 milhões de toneladas no 2T25, impulsionado por investimentos em energia renovável e estímulos à atividade industrial. Globalmente, a demanda por alumínio transformado deve crescer 2,3% em 2025, liderada pela Ásia.
Os preços do alumínio na London Metal Exchange (LME) se recuperaram após a forte queda de abril, quando as tarifas recíprocas entre EUA e China derrubaram as cotações. O preço médio do trimestre ficou em US$ 2.448 por tonelada, com pico acima de US$ 2.600/t. O prêmio Midwest seguiu em alta devido à tarifa de importação de 50% nos EUA, enquanto o prêmio Rotterdam continuou em queda.
No mercado brasileiro, a CBA destacou o desempenho positivo do setor automotivo, com crescimento de 8% na produção de veículos leves no primeiro semestre, e estabilidade na construção civil, com vendas de cimento crescendo 4% no 2T25 versus 1T25. A expansão da matriz elétrica também sustentou a demanda por cabos de alumínio.
Contudo, a companhia enfrentou pressão de custos no período devido à parada da refinaria de alumina e ao aumento no preço da soda cáustica nos EUA. Esta pressão operacional contrasta com a trajetória de recuperação financeira consolidada no primeiro trimestre, quando a empresa reduziu drasticamente seu endividamento de 7,89x para 2,15x e reverteu prejuízos históricos. Enquanto o custo global de produção recuou com a queda nos preços de alumina e energia, especialmente na China, a CBA registrou custos mais elevados no trimestre.
O cenário de desafios operacionais coincide com a transição temporária na gestão financeira da empresa em julho, quando o CEO assumiu as funções de CFO e RI durante licença-maternidade da diretora, garantindo continuidade na supervisão das estratégias financeiras em momento crítico. A gestão centralizada permite resposta mais ágil às pressões de custos e volatilidade de preços que marcaram o segundo trimestre.
O relatório aponta como principais riscos a escalada das tarifas entre EUA e China, que continua gerando volatilidade nos preços e prêmios regionais, além da possível pressão no mercado doméstico por redirecionamento de volumes dos Estados Unidos. Investidores devem acompanhar os próximos resultados trimestrais da CBA para avaliar o impacto desses fatores na rentabilidade da empresa.







