A Petrobras (PETR3, PETR4) anunciou nesta segunda-feira a conclusão da venda de 100% de sua participação nos campos de Cherne e Bagre, localizados em águas rasas na Bacia de Campos, para a francesa Perenco Petróleo e Gás do Brasil. A operação representa mais um passo na estratégia de otimização do portfólio de ativos da companhia.
Os campos tiveram produção interrompida em março de 2020, com as plataformas PCH-1 e PCH-2 hibernadas desde então. A transferência para a Perenco prevê ajustes de compensação a serem pagos pela Petrobras relativos à integridade do ativo, mas traz a perspectiva de retomada da produção pelo novo operador.
A transação configura uma alternativa estratégica ao descomissionamento dos campos pela Petrobras, evitando custos significativos de desativação. Este movimento espelha a abordagem disciplinada da empresa de concentrar recursos em áreas de maior potencial, como evidenciado pela aquisição de 13 blocos exploratórios estratégicos em junho, onde investiu R$ 139 milhões para incorporar quase 9.600 km² em fronteiras exploratórias de alta prioridade.
Os campos estão situados a 73 km da costa do Rio de Janeiro, em lâmina d'água que varia de 108 a 150 metros, e foram adquiridos pela estatal por meio da Rodada Zero da ANP. Todos os empregados próprios da Petrobras envolvidos na operação serão realocados em outras atividades da companhia. A Perenco, subsidiária de uma das maiores empresas independentes de óleo e gás do mundo, já opera no Brasil desde 2019 com os campos de Carapeba, Pargo e Vermelho na mesma região.
A conclusão da cessão reforça a estratégia da Petrobras de concentrar recursos em ativos de maior produtividade e rentabilidade, liberando capital para investimentos em projetos prioritários do plano estratégico da companhia. Esta liberação de capital alimenta diretamente os investimentos de US$ 111 bilhões previstos no Plano de Negócios 2025-2029, que incluem megaprojetos como os R$ 33 bilhões destinados aos projetos de refino e petroquímica no Rio de Janeiro, demonstrando como a empresa equilibra estrategicamente desinvestimentos em ativos menos produtivos com aportes massivos em iniciativas de maior retorno e alinhamento com a visão de longo prazo da companhia.







