A Raízen (RAIZ4) divulgou nesta terça-feira, 13 de maio de 2025, seus resultados financeiros do quarto trimestre e ano-safra 2024/25, registrando prejuízo líquido de R$ 4,177 bilhões, ante lucro de R$ 614,2 milhões no período anterior. Apenas no quarto trimestre, o prejuízo foi de R$ 2,513 bilhões.
A receita líquida da companhia atingiu R$ 255,268 bilhões no ano-safra, representando crescimento de 15,8% em relação ao período anterior. No entanto, o EBITDA ajustado totalizou R$ 10,820 bilhões, uma retração de 25,9% na comparação anual.
De acordo com o relatório, a safra 2024/25 foi severamente impactada pelo clima seco, que prejudicou o desenvolvimento e a produtividade da cana, além das queimadas que atingiram os canaviais da região Centro-Sul. A companhia moeu 78,2 milhões de toneladas de cana, volume 7,1% inferior ao do ano-safra anterior.
A produção de açúcar sofreu redução de 12,6%, totalizando 5,1 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol manteve-se praticamente estável. Destaque positivo para o etanol de segunda geração (E2G), que registrou crescimento de 63,3% no volume produzido.
No segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB), o EBITDA ajustado foi de R$ 5,964 bilhões, queda de 18,1%. Já a Distribuição de Combustíveis no Brasil registrou EBITDA ajustado de R$ 3,505 bilhões, redução de 23,4%, em um cenário marcado por maior informalidade no setor.
O endividamento da empresa aumentou significativamente, com a dívida líquida alcançando R$ 34,264 bilhões, alta de 78,9% na comparação anual. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado, subiu para 3,2x, ante 1,3x no período anterior.
A companhia também destacou problemas em suas operações de Trading, que enfrentaram desafios relevantes, motivando uma mudança na estratégia de atuação, direcionando o foco para o perímetro do seu core business.
"Nos últimos meses da safra, conduzimos mudanças significativas na Companhia. Avançamos na reciclagem do portfólio de ativos, renovamos a liderança dos negócios e reorganizamos a estrutura organizacional", informou a Raízen em seu comunicado.
A empresa anunciou que, desde 1º de abril de 2025, iniciou uma nova fase com foco no seu core business, simplificação da operação, redução de despesas e racionalização dos investimentos, visando reduzir o endividamento e gerar valor sustentável para os acionistas.
Entre os fatores que impactaram negativamente o resultado líquido, a Raízen citou a constituição de provisão para não realização de tributos diferidos (R$ 900 milhões em 2024/25), além do aumento das despesas financeiras, que totalizaram R$ 7,462 bilhões, alta de 18,2%.
Os investimentos totais da companhia somaram R$ 11,910 bilhões no ano-safra, uma redução de 6% em comparação ao período anterior, refletindo a estratégia de gestão de capital mais criterosa.







