A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, reduziu sua participação acionária na Raízen (RAIZ4) e passou a deter 52,159 milhões de ações preferenciais, representando 3,838% do total de papéis da companhia de biocombustíveis. A movimentação foi comunicada pela empresa nesta terça-feira, 3 de junho de 2025.
Além das ações ordinárias, a BlackRock mantém 2,783 milhões de instrumentos financeiros derivativos referenciados nas ações preferenciais da Raízen, equivalentes a 0,205% do total de papéis. A redução da participação ocorreu em 30 de maio de 2025, segundo correspondência enviada pela gestora à companhia.
O movimento representa uma reversão significativa da posição assumida pela gestora americana, que havia ultrapassado a marca de 5% de participação acionária em maio, quando detinha 67,965 milhões de ações preferenciais. A decisão de reduzir a exposição à Raízen ocorre apenas algumas semanas após a comunicação inicial de participação relevante.
Em comunicado oficial, a BlackRock informou que a participação tem "objetivo estritamente de investimento", sem intenção de alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa da Raízen. A gestora também destacou que não celebrou contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou compra e venda de valores mobiliários da empresa.
A saída parcial da BlackRock ocorre em um contexto desafiador para a Raízen, que registrou prejuízo de R$ 4,177 bilhões no ano-safra 2024/25, impactada pelo clima seco e queimadas que prejudicaram a produtividade dos canaviais. O resultado negativo contrastou drasticamente com o lucro de R$ 614,2 milhões do período anterior, sinalizando deterioração operacional significativa.
A movimentação da BlackRock segue um padrão observado entre investidores institucionais na Raízen, considerando que a gestora escocesa Baillie Gifford também havia reduzido sua participação para 9,91% das ações preferenciais em período anterior. A convergência de saídas parciais de grandes fundos pode refletir reavaliação do setor sucroenergético ou preocupações específicas com a trajetória da companhia.
A saída parcial de grandes investidores institucionais costuma gerar atenção no mercado, especialmente quando envolve gestoras do porte da BlackRock. Investidores devem acompanhar se outros fundos seguirão movimento similar ou se a redução reflete apenas rebalanceamento de portfólio da gestora americana.







