Na segunda-feira, 11 de maio de 2026, a Natura (NATU3) divulgou que registrou prejuízo líquido de R$ 445 mi no primeiro trimestre de 2026, ante prejuízo de R$ 152 mi um ano antes, considerando operações descontinuadas, ou R$ 50 mi de prejuízo das operações continuadas no 1T25. A companhia informou que a piora de R$ 395 mi decorre principalmente da queda de R$ 307 mi no EBIT e da deterioração de R$ 177 mi nos resultados financeiros, em especial por perdas com hedge da dívida em dólares.
No 1T26, a receita líquida consolidada da Natura somou R$ 4,745 bi, queda de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025, com recuo de 5,5% no Brasil e de 10,5% na região Hispana. Em moeda constante, a receita caiu 3,7% na comparação anual, impactada por desempenho mais fraco no Brasil, em especial da Avon, e pela recuperação mais lenta na Argentina.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 346 mi no trimestre, com margem de 7,3%, frente R$ 649 mi e margem de 12,6% no 1T25. Segundo a empresa, a contração de 790 pontos-base na margem EBITDA recorrente é explicada principalmente por despesas extraordinárias ligadas à reorganização, que somaram cerca de R$ 221 mi ou 4,7% da receita líquida, além de desalavancagem das despesas de vendas, gerais e administrativas e pressão na margem bruta.
A margem bruta consolidada ficou em 65,8% no 1T26, recuo de 1,6 ponto percentual na comparação anual, refletindo sobretudo o impacto da Argentina e ações promocionais no Brasil. As despesas de vendas caíram 4,5% em termos nominais, mas avançaram de 43,7% para 45,3% da receita líquida, enquanto as despesas gerais e administrativas, P&D e TI cresceram 5% e passaram a representar 15,1% da receita.
A dívida líquida da Natura encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 4,0 bi, aumento sequencial de R$ 565 mi em relação ao fim de 2025, influenciada por pagamentos não recorrentes de rescisões da reorganização, despesas remanescentes do processo de simplificação e quitação de acordo judicial, parcialmente compensados pela entrada de caixa com a venda da Avon Rússia. O índice de alavancagem atingiu 2,11 vezes o EBITDA, acima do nível do quarto trimestre de 2025.







