Nesta terça-feira, 27/01/2026, a SLC Agrícola projetou 836 mil hectares para a safra 2025/26 (+13,6% vs. 2024/25), com soja em 431.206 ha (+14,2%), algodão em 198.657 ha (+11,1%) e milho em 158.706 ha (+29,3%). A companhia detalhou aquisições de 39.987 ha na Bahia (R$ 723 mi, R$ 33.876/ha agricultável, desconto de 34%) e 7.835 ha em Minas (R$ 190 mi, R$ 36.176/ha, desconto de 50%), associação com FIPs (50,01%/49,99%) com aporte de R$ 1,033 bi, expansão da área irrigada em +28 mil ha, custos por hectare orçados em +9,7% e leve alta de produtividade. Referências de hedge foram apresentadas para soja, milho e algodão, em um contexto de juros elevados, preços pressionados, La Niña até maio/26 e crédito restrito.

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Este movimento dá continuidade à estratégia de capital asset light e previsibilidade de caixa consolidada no closing da associação com FIPs do BTG, criação de SPEs (50,01%/49,99%) e parceria rural de 18 anos, com cronograma de irrigação e desembolsos escalonados. Ao repetir a engenharia de longo prazo nas novas frentes — sobretudo na Bahia — a companhia dilui o consumo de capital próprio, prioriza irrigação para mitigar risco climático e ancora crescimento em contratos de prazo longo, compatíveis com a expansão planejada da área plantada.

Na prática, as compras de terras com desconto (34% na Bahia e 50% em Minas) e o pipeline de +33,8 mil hectares atrelados aos FIPs reforçam a construção de escala com barganha e disciplina. Em 2025/26, a SLC combina aumento de área (+100 mil ha), irrigação adicional (+28 mil ha), produtividade orçada superior e custos por hectare mais altos (+9,7%). O balanço entre custo e preço é apoiado por referências de hedge em soja, milho e algodão, enquanto o material setorial aponta La Niña no 1º semestre de 2026 e colheita da soja no MT em 6,7%, acima da média de 3 anos.

Na agenda de M&A, o detalhamento da Sierentz e da participação minoritária da Mitsui dialoga com a mesma disciplina financeira observada no ajuste do preço da Sierentz para US$ 129 milhões e o escalonamento das parcelas para abril/26 e abril/27, preservando liquidez e retorno implícito. A combinação de aquisições de terra com valuation conservador e integrações logísticas/comerciais cria um eixo de captura de sinergias para escoar o maior volume projetado de soja, algodão e milho sem pressionar alavancagem.

Do ponto de vista operacional, a expansão na Bahia e o foco em irrigação tendem a reduzir a variabilidade climática num ciclo de custos pressionados e preços internacionais moderados. As referências cambiais (R$/USD entre 5,78 e 6,40 nas travas) e os strikes em commodities sugerem proteção parcial de margem diante de insumos mais caros, ao mesmo tempo em que a demanda firme por grãos mantém o caso de volume.

Em termos de narrativa corporativa, a projeção de 836 mil hectares para 2025/26 não é um salto isolado, mas a consolidação do roteiro anunciado ao mercado. Essa leitura foi explicitada nas apostas de crescimento para 2026 e na própria projeção de 836 mil ha destacadas em dezembro pelo CEO, quando a gestão vinculou escala, irrigação e parcerias de longo prazo à resiliência de caixa. A atualização de hoje amarra esses vetores: mais área via arrendamentos e FIPs, irrigação para estabilidade produtiva, hedge para suavizar preços e M&As calibrados pelo retorno — um desenho coerente com execução faseada e disciplina de capital.

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