Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a Klabin, em sua Apresentação Institucional do 3T25, detalhou a revisão das políticas financeiras: alavancagem-alvo fora de ciclos entre 2,5x e 3,5x e limite em ciclos de até 3,9x; payout entre 10% e 20% do EBITDA Ajustado; e definição de ciclos para projetos orgânicos e inorgânicos iguais ou superiores a US$ 1,2 bilhão, com janela de 12 meses após o startup. Em contraste, a política de jun/2020 admitia alavancagem em ciclos de até 4,5x, considerava projetos a partir de US$ 1 bilhão e previa payout entre 15% e 25%, com 24 meses após o startup. A empresa reforçou ainda a governança (tag along de 100%, dividendos iguais para ON e PN, Nível 2) e evidenciou posições de mercado (60% do kraftliner, 40% do papel cartão, 51% de sacos industriais e 22% de caixas, com 67% destas para Alimentos), além de avanços ASG que ancoram a tese de resiliência e geração de caixa. As políticas foram aprovadas em out/2024, com Fato Relevante em 29/10/2024.

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Este movimento consolida a disciplina financeira e a previsibilidade de remuneração iniciadas com os novos guardrails e já observadas na prática. Ao calibrar o payout para 10%–20% do EBITDA Ajustado e encurtar janelas de ciclo, a companhia criou espaço para uma cadência de proventos compatível com a alocação seletiva de capital e com a manutenção do rating, sem abrir mão da flexibilidade para atravessar volatilidade do ciclo de celulose. A materialização dessa diretriz ficou clara nos dividendos escalonados e bonificação aprovados em dezembro/25, que distribuíram o fluxo ao longo de 2026 e reduziram picos de saída de caixa, alinhando execução ao framework definido no 3T25.

Do lado do investimento, a introdução de gates mais rigorosos (tickets a partir de US$ 1,2 bilhão e verificação 12 meses pós-startup) dialoga com um envelope de capex mais seletivo e decrescente no médio prazo, priorizando silvicultura, continuidade operacional e a modernização do site de Monte Alegre. Essa combinação reforça a coerência entre o apetite a risco e o retorno esperado por projeto, ao mesmo tempo em que preserva o balanço com visibilidade do custo caixa por tonelada. A ancoragem dessa trajetória foi explicitada no guidance de capex 2025–2028 com ênfase em florestas e modernização, que ajusta o ritmo de investimentos à disciplina estabelecida.

Em funding e reciclagem de ativos, a estratégia asset-light nas florestas ilustra como a Klabin monetiza o landbank sem comprometer a base de abastecimento, reduz a intensidade de capital do ciclo e reforça a desalavancagem. A criação de SPEs, com aportes calendarizados e contratos que trazem previsibilidade de caixa, dá lastro à combinação de proventos estáveis e capex seletivo. A execução dessa agenda ganhou maturidade com a conclusão dos aportes de 2025 do Projeto Plateau, mantendo o foco no equilíbrio do balanço e na compatibilização entre investimento, liquidez e remuneração ao acionista.

Na dimensão ASG, a apresentação reforça métricas e reconhecimentos — presença no Dow Jones Best-in-Class, 12 anos no ISE B3, ISO 50001 na Unidade Puma, planos alinhados a TCFD/TNFD/SBTN e metas SBTi de 1,5ºC com net zero até 2050. Esse arcabouço não é apenas reputacional: ele amplia a elegibilidade a instrumentos de dívida vinculados a metas e reduz custo de capital ao dar rastreabilidade às decisões de investimento e ao payout. Essa leitura ficou cristalina com a classificação Triple A no CDP e evolução do arcabouço ASG, que fortalece a integração entre sustentabilidade e disciplina financeira, sustentando a narrativa de longo prazo de geração de valor com menor volatilidade.

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