Nesta terça-feira, 30 de dezembro de 2025, a Cosan (CSAN3) comunicou que Bradesco BBI e BTG Pactual adquiriram, em partes iguais, ações preferenciais da Cosan Dez por R$ 4 bilhões, equivalentes a aproximadamente 23% do equity value do veículo que concentra as ações da Compass Gás e Energia. O pacote confere, em conjunto, 9,98% de direitos políticos no capital votante. A transação redesenha a estrutura originalmente firmada com o Bradesco em 2022 e inclui um direito de venda (put) escalonado a partir do 5º, 6º e 7º aniversários, mecanismo que permitiu reduzir o custo financeiro da operação anterior. O movimento é apresentado como mais um passo de otimização de passivos após a recente capitalização, na esteira da homologação das duas ofertas que captaram R$ 10,5 bilhões e consolidaram a agenda de desalavancagem.

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Além de aliviar o custo de carregamento, a entrada do BTG como coinvestidor ao lado do Bradesco na Cosan Dez reforça a coerência do novo arranjo de governança da holding: parceiros âncora participam do capital e da supervisão estratégica, ampliando disciplina de capital, accountability e previsibilidade de execução em iniciativas de liability management. Esse desenho dialoga diretamente com o redesenho do board com a entrada dos âncoras no Conselho e a troca no comando de Finanças/RI, que elevou a capacidade de monitorar alavancagem, prazos e custo médio da dívida, inclusive nos veículos que detêm ativos estratégicos como a Compass.

Do ponto de vista econômico, a calibragem do custo e do perfil de vencimentos tem racional claro: o 3T25 expôs o peso da despesa financeira na holding e a necessidade de reduzir alavancagem, num contexto de contribuição pressionada das investidas. A reprecificação do risco via equity recente e a renegociação estrutural na Cosan Dez com puts escalonados diminuem o risco de refinanciamento e criam válvulas de saída contratadas para os bancos, ao custo de uma possível diluição controlada no tempo. Esse encadeamento ajuda a endereçar a pressão no 3T25, com prejuízo no nível corporativo, aumento da dívida líquida e custo médio elevado, sinalizando trajetória de normalização do carregamento financeiro.

As medidas também se somam ao playbook de reciclagem de capital sem abrir mão das teses estratégicas. Ao reorganizar a exposição por veículos e instrumentos (equity, derivativos e direitos de venda), a Cosan preserva opcionalidade sobre a Compass, melhora liquidez, alonga passivos e suaviza a volatilidade de caixa, mantendo controle estratégico. Na prática, a companhia vem acoplando soluções de funding e de gestão de risco que liberam recursos, diminuem o custo do passivo e preservam a exposição econômica aos ativos centrais, em linha com o foco de desalavancagem e governança reforçada observado no trimestre. Nesse sentido, o passo de hoje dialoga com a alienação de participação na Rumo acompanhada de TRS para liberar caixa mantendo a mesma exposição econômica, sinalizando consistência do roteiro.

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