A Cosan (CSAN3) encerrou o 3T25 com prejuízo de R$ 1,2 bilhão no nível corporativo, pressionada por equivalência patrimonial negativa (R$ 482 milhões) — sobretudo pela menor contribuição do EAB na Raízen —, impairment de ativos classificados como disponíveis para venda e pelo efeito da saída da participação na Vale. O resultado financeiro líquido foi despesa de R$ 858 milhões (custo da dívida bruta de R$ 840 milhões, rendimento de aplicações de R$ 127 milhões), com custo médio em CDI+0,89% a.a. e prazo médio de 5,9 anos. A dívida líquida subiu para R$ 18,2 bilhões (R$ 17,5 bilhões no 2T25) e o ICSD recuou para 1,0x LTM (1,2x no 2T25). No portfólio, o EBITDA sob gestão somou R$ 7,4 bilhões (vs. R$ 8,4 bilhões no 3T24), com Rumo R$ 2,3 bi, Compass R$ 1,3 bi, Moove R$ 360 mi, Radar R$ 106 mi e Raízen R$ 3,3 bi. A fotografia do trimestre antecede a entrada dos recursos de capital concluída em novembro, cujo efeito contábil deve aparecer a partir do 4T25, após a homologação das duas ofertas que captaram R$ 10,5 bilhões e consolidaram a agenda de desalavancagem.
Estratégicamente, o trimestre reforça a urgência de reduzir alavancagem e estabilizar a base acionária. A piora do equity pick-up da Raízen — com o EAB sob pressão — somada a dividendos/JCP modestos (R$ 48 milhões) e ao custo de carregamento ainda elevado indica que a tese de reforço de capital e disciplina de governança é condição para a virada. Nesse sentido, o destaque ao longo do período foi o avanço institucional: acordo de acionistas entre Aguassanta, BTG e Perfin, e a orquestração de governança nas investidas. Esse passo dá continuidade ao ciclo de capitalização e fortalece supervisão sobre métricas-chave (dívida líquida, custo médio, perfil de vencimentos), como ficou claro no redesenho do board com a entrada dos âncoras no Conselho e a troca no comando de Finanças/RI, preparando a execução da desalavancagem e a calibragem da comunicação com o mercado.
No encadeamento dessa agenda, vale notar a evolução do próprio escopo do follow-on. A companhia partiu de um foco inicial em amortizar dívida na holding e, diante do ambiente operacional, preservou opcionalidade para apoiar ativos estratégicos se necessário — inclusive a Raízen —, sem abandonar a prioridade de desalavancagem corporativa. Esse ajuste de rota foi explicitado no ajuste de escopo que passou a admitir reforço de capital em controladas e investidas, incluindo a Raízen, coerente com o objetivo de reduzir risco de refinanciamento enquanto mantém flexibilidade de portfólio. Para os próximos trimestres, o investidor deve monitorar: alocação efetiva dos recursos do equity, trajetória do ICSD e do custo médio da dívida, recuperação do EAB na Raízen e eventuais passos de capitalização no nível dos ativos ao lado de parceiros estratégicos.







