Em 19 de dezembro de 2025, a Eletrobras (AXIA3, AXIA5, AXIA6) informou a emissão das Licenças de Instalação (LI) dos Lotes 3 e 5 (blocos 1 e 2) do Leilão 01/24, com CAPEX ANEEL de R$ 983 milhões e R$ 2,65 bilhões, respectivamente, habilitando mobilização e início das obras. As licenças somam-se às concedidas em 2025 para o Lote 9 (01/24) e para o Lote 4 (leilão de 2023). Após mais de oito anos sem novas conquistas, a companhia voltou a vencer em 2022–2025, e enxerga o avanço como marco do período pós-privatização, refletindo ganho de eficiência de processos e execução.

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A empresa projeta o maior investimento de sua história em 2026: nove lotes em implantação somam cerca de R$ 8 bilhões, o CAPEX de ampliação em transmissão deve acelerar e há 225 projetos de reforços e melhorias (R$ 6,2 bilhões) com RAP anual estimada em R$ 1 bilhão. Esse ciclo só é sustentável com funding aderente ao fluxo regulado — exatamente o que evidenciou a liquidação das debêntures de R$ 3 bilhões, com alongamento de prazos e casamento de duration às receitas reguladas, que distribui picos de caixa e reduz risco de refinanciamento.

No front operacional, a entrega do Parque Eólico de Coxilha Negra no início de 2025 (302,4 MW, R$ 2,4 bilhões) e, sobretudo, a conexão de Roraima ao SIN via a linha Manaus–Boa Vista (724 km), com RAP de R$ 561,7 milhões/ano até set/51, reforçam competência de execução e relacionamento com fornecedores. A revitalização do HVDC de Itaipu, prevista para 2026, adiciona robustez à rede e captura sinergias bilaterais. Esse conjunto de obras e marcos recentes ocorre em ambiente institucional mais previsível desde a homologação do STF que extinguiu a ADI 7.385 e consolidou o ‘one share, one vote’, que comprimiu o prêmio de risco e melhorou o custo de capital para competir em leilões.

Com a agenda de 2026 mirando novos certames, a empresa afirma estar aprimorando processos internos e a cadeia de suprimentos, mantendo disciplina de capital e foco na maximização do retorno ao acionista, com mais de 12 mil profissionais na implantação. O histórico recente — com um dos dez projetos pós-privatização entregue em julho de 2025, 14 meses antes do prazo da ANEEL, e LIs concedidas para múltiplos lotes ao longo do ano — sugere padronização de engenharia, compras antecipadas e controle de cronogramas, vetores centrais para competir com margens racionalizadas. Nessa moldura, a competitividade decorre também da arquitetura acionária simplificada e pró-dispersão votante, formalizada no redesenho societário aprovado na AGE de 19/12, com criação das PNCs e resgate das PNRs, que alinha governança ao padrão do Novo Mercado e sustenta um ciclo intensivo de CAPEX sem pressões desnecessárias sobre liquidez.

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