A AGE da AXIA Energia (ex-Eletrobras) aprovou integralmente o redesenho societário: criação das preferenciais classe C (PNC), conversão de cada PNA/PNB em PNA1/PNB1 mais uma PNR, ajustes no Estatuto e resgate compulsório das PNRs. Tornou-se efetiva a capitalização de R$ 30.000.000.024,48, com a emissão de 606.796.117 PNCs distribuídas a título de bonificação na razão de 0,2628378881074 para cada ação ON, PNA ou PNB (incluídas as em tesouraria). A data de corte na B3 é 19/12/2025; a negociação ex-direito e o início do ticker AXIA7 (PNC) ocorrem em 22/12/2025, com liquidação na custódia em 26/12. Nas ADRs listadas na NYSE, a data de corte/ex-direito é 22/12 e a entrega das ADRs lastreadas em PNC ocorre em 29/12, sob o ticker AXIA PRC. As PNA1 e PNB1 permanecem como AXIA5 e AXIA6. O valor de resgate por PNR foi fixado em R$ 1,2994705188032.
Este marco executa, sem diluição e sem pressão adicional de caixa, a engenharia societária e a distribuição de valor via reserva já aprovadas pelo Conselho, conforme a capitalização de R$ 30 bilhões e bonificação em PNC aprovadas pelo Conselho em 8/12. As PNCs, com voto e natureza transitória, formam a “ponte” para unificação acionária até 2031, enquanto o desmembramento PNA/PNB em PNA1/PNB1 + PNR e o resgate imediato das PNRs preservam o prêmio econômico histórico das preferenciais. O Estatuto passa a refletir limites e mecanismos anti-concentração para resguardar a dispersão de capital e o princípio “one share, one vote”, ao mesmo tempo em que mantém tag along de 100% e reforça a proteção a minoritários. Assim, a bonificação equaliza direitos econômicos e políticos no caminho da convergência a uma única classe, preparando a base acionária para padrões mais altos de governança.
No pano de fundo institucional, a aprovação de hoje é favorecida pela redução do risco jurídico após a homologação do STF que extinguiu a ADI 7.385 e consolidou o “one share, one vote”. Com a pacificação do contencioso e a previsibilidade de voto, a companhia reduz prêmios de risco, melhora o custo de capital e dá segurança para executar etapas sensíveis de conversão e resgates, mantendo simultaneamente liquidez para um ciclo intensivo de CAPEX regulado. Em termos de narrativa corporativa, a decisão da AGE deixa de ser um ato isolado e passa a integrar um roteiro coerente: governança estabilizada, arquitetura de capital simplificada e foco na plataforma regulada, condições que sustentam uma trajetória de retorno ajustado ao risco mais estável no médio e no longo prazo.
Estratégica e cronologicamente, o movimento consolida o plano revelado aos investidores ao longo do trimestre: da proposta e desenho técnico à execução assemblear. Em particular, a aprovação é um passo concreto na direção da listagem com padrão máximo de governança, em linha com o reinício dos estudos para migração ao Novo Mercado e a ponte de conversão até 2031. A transição para uma estrutura com direitos políticos simétricos, mecanismos anti-concentração e etapas de conversão pactuadas reduz ineficiências, amplia a previsibilidade da remuneração e cria uma base mais sólida para decisões de funding e de alocação em transmissão. Em síntese, a AGE materializa a fase institucional da virada: bonificação via reservas, unificação progressiva das classes e estatuto calibrado para um capital pulverizado, amarrando governança, custo de capital e execução operacional.







