Na segunda-feira, 22/12/2025, Eletrobras (AXIA3, AXIA5, AXIA6) encerrou o programa de recompra de 2024 e aprovou um novo para 2025, válido por 18 meses (até 21/06/2027), com autorização para adquirir até 187,9 milhões de ON, 26,6 milhões de PNB1 e 56,4 milhões de PNC na B3, a preço de mercado e sem uso de derivativos. Em 2024, a companhia recomprou 3.428.201 ON e 524.800 PNB (cerca de R$ 152 milhões). As ações adquiridas poderão ser canceladas, alienadas ou mantidas em tesouraria, inclusive para planos de remuneração e para quitação de passivos judiciais do empréstimo compulsório. As recompras serão suportadas por Reservas de Capital e de Lucros e/ou pelo resultado; após a AGE de 19/12, a companhia reporta ~R$ 2,3 bi em Retenção de Lucros/Reserva Estatutária e ~R$ 11,7 bi em Reservas de Capital. A administração afirma que a medida não compromete obrigações com credores nem dividendos obrigatórios, considerando endividamento, caixa e geração esperada em 2026–2027.

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Este movimento consolida a engenharia de capital e a simplificação acionária recém-implementadas, especialmente o redesenho societário aprovado na AGE de 19/12, com capitalização de R$ 30 bilhões, criação das PNCs e resgate das PNRs. Ao incluir a classe PNC com voto e executar o desmembramento das preferenciais, a companhia passou a dispor de instrumentos para equalizar direitos e calibrar a base acionária. Nesse contexto, a recompra amplia a optionalidade: permite absorver assimetrias decorrentes das conversões, sustentar planos de remuneração e, quando economicamente racional, cancelar ações para elevar o lucro por ação sem reduzir o capital social. Em contraste com o programa de 2024, de execução modesta, o teto de 2025 é significativamente maior e cobre ON, PNB1 e PNC, sinalizando que a gestão quer manter flexibilidade tática enquanto a ponte de conversão até 2031 avança.

A decisão também se apoia no pano de fundo institucional de menor litigiosidade, após a homologação do STF que extinguiu a ADI 7.385 e consolidou o ‘one share, one vote’. Com a pacificação do contencioso sobre direitos políticos, a companhia reduziu prêmios de risco e ganhou previsibilidade para executar etapas sensíveis (conversões, resgates e ajustes estatutários) sem perturbar liquidez. O próprio desenho do programa — sem derivativos, com execução a mercado e monitoramento contínuo da compatibilidade financeira — reforça disciplina e evita choques sobre o cumprimento de covenants e a distribuição mínima. Além disso, a possibilidade de usar ações em tesouraria para quitar passivos judiciais do empréstimo compulsório cria um encaixe eficiente, mitigando pressões pontuais de caixa quando houver oportunidade de compensação.

Do lado do balanço, a empresa vem alongando passivos e preservando liquidez para o ciclo intensivo de CAPEX regulado em transmissão — um arranjo que dá fôlego a um programa de recompras multiclasse sustentado por reservas. Essa coerência financeira ficou evidente na liquidação das debêntures de R$ 3 bilhões, com alongamento de prazos e casamento de duration às receitas reguladas, que ajuda a distribuir picos de caixa e reduzir risco de refinanciamento. Em conjunto, o alongamento do passivo, a bonificação via reservas e a recompra autorizada para 2025 compõem uma mesma narrativa: governança estabilizada, disciplina de alocação e remuneração ao acionista calibrada ao avanço da unificação acionária rumo ao Novo Mercado.

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